O Setorial Estadual de Saúde, do PT, que é coordenado pelo deputado Carlos Neder, fechou posição em favor do programa federal Mais Médicos. Em reunião realizada no sábado, 17 de agosto – a primeira do semestre – o grupo promoveu um denso debate sobre o tema.

Das 50 pessoas que participaram do encontro, representando municípios da Grande São Paulo, interior e Baixada Santista, 35 se manifestaram. Todas elas de forma unânime em favor do Mais Médicos. “Não há nenhuma dúvida quanto ao apoio que daremos ao programa e ao ato na sexta-feira, 23. Cabe ao setorial fazer que esse debate não acabe aqui”, pontuou Neder.

A discussão sobre o programa se iniciou a partir da avaliação se, de fato, faltam médicos no país. As diversas ponderações entre os presentes assinalaram não só a carência desses profissionais, como também a dificuldade de fixação deles nos locais de trabalho, mesmo em regiões onde estatisticamente haveria cobertura adequada.

“Não temos falta de médicos, estatisticamente, em Guarulhos, mas há dificuldade de fixação, principalmente em áreas periféricas. Temos dificuldade em lotação de médicos do SUS, principalmente em áreas de difícil acesso”, avaliou Heloísa Helena Sampaio, médica e gestora do SUS naquela cidade da Grande São Paulo.

Para o vereador santista Evaldo Stanislau, a carência de médicos no SUS tem de ser pensada mais do ponto de vista qualitativo do que quantitativo. “Acho que a pergunta não pode ser respondida do ponto de vista matemático”, disse o parlamentar, que também é médico e coordena o Setorial Saúde da Baixada.

Já o presidente do Sindicato dos Psicólogos de São Paulo, Rogerio Giannini, frisou que a falta de médicos é apenas a “ponta do iceberg”, suscitada a partir da iniciativa do governo federal. “Sou a favor do Mais Médicos para trazer capacidade mínima de atendimento e para trazer a população para a discussão”, destacou.

O cirurgião-dentista Marco Manfredini, secretário do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo, também deu apoio à proposta, de forma crítica. “Precisamos explicar as causas dessa falta de médico. Há omissão do SUS na ordenação da formação de recursos humanos, nos últimos anos”. Segundo Manfredini, não é possível discutir o número de profissionais sem um amplo debate do modelo assistencial.

Deixe uma resposta