A recente ofensiva publicitária da administração Alckmin chama a atenção por ter dado muita ênfase na saúde. Uma área, por sinal, mal avaliada pela população do Estado. A propaganda tucana autoelogiosa ocorre no momento em que setores da mídia e da iniciativa privada tentam desgastar a imagem do Sistema Único de Saúde (SUS) e de programas ousados como o Mais Médicos, do Governo Federal.

De março para cá, a previsão de gastos do governo estadual com publicidade é de R$ 90 milhões – um aumento de 26% em relação ao ano passado. Desse total, cerca de R$ 25 milhões estão sendo usados para tratar de questões relacionadas à saúde. Até o final de 2013, o custo total está estimado em R$ 226 milhões. Algo que não vinha ocorrendo até então.

Carlos Neder defende participação social na Gestão da Saúde.

Não há problema em usar recursos na divulgação de ações promovidas pelo poder público. Isso é legítimo, desde que seja dentro da lógica de esclarecer às pessoas como é feita a prestação dos serviços oferecidos.

Esse não é o caso da publicidade do PSDB, que quer, pretensamente, dar a ideia de que está melhorando a saúde por meio de uma série de parcerias mantidas com diversos municípios. Mas o que as administrações locais querem é a participação solidária do governo do Estado também em ações de média complexidade (atendimento especializado) e não apenas na atenção básica (porta de entrada de atendimento do sistema de saúde).

O fato é que a gestão da saúde estadual está mal das pernas. Para citarmos outro exemplo, as Santas Casas acabam sendo uma das principais opções em saúde em várias cidades e enfrentam dificuldades extremas na sua manutenção. Uma ação articulada com o Governo Federal faria toda diferença.

Isso sem falar no modelo adotado pelo governo do Estado de atuação na saúde por meio das organizações sociais (OSs), ao invés de fortalecer a gestão pública do SUS, com repasse adequado de verbas, valorização e capacitação de seus profissionais e a implantação de ações solidárias com os municípios. Nas propagandas oficiais, o foco deveria ser nas campanhas de prevenção e educação em saúde, conforme projeto que apresentei na Assembleia Legislativa.

O governador Alckmin, que é médico, deveria ter um olhar mais aguçado para o objetivo estratégico de promover a saúde. É preciso investir realmente em iniciativas que garantam um atendimento público e de qualidade. Não podemos admitir que o governo estadual continue gastando dinheiro com falsas propagandas e promessas, cujo único objetivo é o de dar conotação eleitoral a um serviço essencial que, aliás, nada mais é do que um direito garantido a todos os cidadãos que pagam em dia seus impostos.

Carlos Neder,
O autor é médico sanitarista, coordenador do setorial de saúde do PT e deputado estadual (PT).

Deixe uma resposta