(*) Carlos Neder

Os recentes episódios acontecidos na cidade de São Paulo dão a dimensão exata de como o governador Alckmin lida com assuntos relacionados à segurança, ao direito de ir e vir das pessoas e às formas de participação popular.

Como já não bastasse a postura preconceituosa com os “rolezinhos”, em que a Secretaria de Segurança Pública chegou a defender publicamente o uso da força para conter a mobilização, o ocorrido recentemente na chamada Cracolândia, zona central da cidade, demonstra o despreparo e a condução errada de quem deveria garantir paz e segurança aos cidadãos.

Não há como não questionar a posição equivocada da Polícia Civil, que usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha nas pessoas que estavam no local. Simplesmente desconsideraram o correto trabalho de abordagem em saúde publica junto aos dependentes que vem sendo feito pela Prefeitura, que sequer foi avisada da desastrosa ação, que só gerou tumulto, revolta e pânico.

Por mais complexo que seja lidar com os “black blocs”, e aqui não defendo nem legitimo o modo deles agirem, as autoridades precisam ter a exata noção de como redirecionar, de maneira assertiva, a atitude desses jovens. Evidentemente que o que vimos nas comemorações do aniversário de São Paulo foram cenas de pura violência e vandalismo. Mas, por outro lado, nem de longe é correta a atitude de policiais militares, que balearam, à queima-roupa, um jovem de 22 anos.

Esses acontecimentos, reforço, demonstram o quanto a gestão Alckmin é adepta da pura repressão e o quão despreparadas se encontram nossas estruturas policiais. Faltam integração e ações concatenadas entre os níveis de governo. Combater a violência e a criminalidade são tarefas primordiais, mas para isso são necessários planejamento, medidas preventivas e orientação adequada.

Soma-se a isso, ainda, o fato de que o governo do PSDB não se preocupa em estabelecer instâncias de interlocução com a sociedade. Com isso, espaços como o Conselho Estadual de Saúde e os conselhos gestores têm sua área de atuação reduzida, muitas vezes intencionalmente, inviabilizando assim a participação popular nas decisões que digam respeito ao dia a dia da população.

Essa posição, agravada pela atitude adotada pela gestão Alckmin, só piora o grau de insatisfação dos jovens que – segregados socialmente e estimulados ao consumo de produtos caros – não reconhecem nos agentes públicos, e mesmo nos partidos políticos, uma forma eficaz para reivindicar seus direitos.

O resultado disso tudo é muito ruim para a democracia ao criminalizar os movimentos sociais e colocar em dúvida a criação de novos fóruns de discussão política. É preciso lembrar e ouvir novamente as vozes vindas das manifestações de rua. Os governantes devem demonstrar mais sensibilidade para dialogar com as aspirações populares, abrir novas possibilidades de inclusão dos jovens e defender firmemente os direitos à livre manifestação e de ir e vir, que não se confundem com atos de vandalismo.

(*) O autor é deputado estadual (PT). Contatos: www.carlosneder.com.br / (11) 3105-5632.

1 Comentário

  1. A participação popular é fundamental para o bom desempenho da Administração Pública em todos os setores. Com relação a “Rolezinhos” e “black Blocs” surgiu do próprio movimento popular, isso é legítimo e cada cidadão tem o seu direito de manifestar como quiser desde que não transgridem o seu próximo. Realmente o espaço público em São Paulo está cada vez menor, ou seja, não exite muitas opções de lazer aos jovens paulistanos menos privilegiado da sociedade, portanto, cabe aos governantes públicos criar mais oportunidades para esses jovens carentes, muitas vezes eles se organizam e vai ao shoppings centers dar umas voltinhas em grupos (denominados rolezinhos), o que tem notado que, a direção do shoppings centers tem reprimido esses grupos porque não são consumidores ideais aos lojistas. O importante é criar mais espaço público para o lazer, visto que São Paulo está sendo tomada por corporações imobiliárias e negócios cada vez mais particulares. Sou a favor de rolezinhos, black blocs e participação popular, desde que, não agridam terceiros. O Brasil pertence ao povo brasileiro, portanto a democracia e igualdade é para todos.

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