Profissionais alegam que a falta de contato com a prática na área da saúde desde o início inviabiliza a formação de um bom profissional para lidar com pacientes em várias áreas

POR Portal da Câmara dos Deputados, Comissão de Educação

Cássio Fernando Silva, do Fórum dos Conselhos Federais da Área da Saúde (CFAS), afirma que não existe formação de profissional de saúde a distância

Dez expositores e um plenário lotado de profissionais da área da saúde. Foi neste cenário que ocorreu o debate na audiência pública sobre a expansão da oferta de cursos superiores a distância na área da saúde.

Os representantes da saúde se manifestaram contra a expansão descontrolada de cursos superiores a distância na área da saúde. Alegam que falta fiscalização rigorosa das condições em que os cursos são oferecidos e dos espaços físicos em que são feitas as práticas. Dorisdaia Humerez, do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), exemplificou dizendo que não há possibilidade de um enfermeiro aprender a utilizar corretamente um cateter urinário num paciente sem o aprendizado e a prática com acompanhamento profissional, possível apenas nos cursos presenciais.

Cássio Fernando Silva, que coordena o Fórum dos Conselhos Federais da Área da Saúde (CFAS), afirmou de forma categórica que “não existe formação ou graduação de profissional de saúde a distância”. Cássio disse que os 20% de possibilidade de aprendizado dentro de um curso tradicional, já previstos na legislação, são bastante razoáveis. Mas para além disso, é necessário sentar e discutir com profundidade, afirmou.

A expansão da Educação a Distância nos cursos da saúde presenciais deve ser incentivada na opinião do presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação. Luiz Roberto Curi afirmou ainda que o ensino a distância precisa ser tratado como mais uma ferramenta na formação dos profissionais e defendeu a reformulação curricular dos cursos superiores. Para ele, “a Educação a Distância não é uma irresponsabilidade e as irresponsabilidades devem ser combatidas de maneira feroz”.

O representante do MEC na audiência pública foi o Secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior do Ministério da Educação, Henrique Sartori. Ele explicou que existem hoje no Brasil 393 instituições aptas a oferecer cursos a distância. Dos 2.575 cursos a distância oferecidos no país, 106 são da saúde. Outros 830 estão em processo de análise sendo que destes, 38 estão na área da saúde. Sartori assegurou que o MEC tem fiscalizado e que recebe regularmente denúncias e que todas são averiguadas e as medidas necessárias têm sido tomadas.

A audiência pública foi realizada atendendo a requerimentos dos deputados Atila Lira (PSB/PI), Izalci Lucas (PSDB/DF) e Junior Marreca (PEN/MA).

Veja aqui como foi a audiência pública que debateu a expansão da oferta de cursos superiores a distância na área da saúde.

Participantes:

Mesa 1

– HENRIQUE SARTORI – Secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior do Ministério da Educação – SERES/MEC – Apresentação

– LUIZ ROBERTO CURI –Pres. da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação – CES/CNE

– DORISDAIA HUMEREZ – Conselheira do Conselho Federal de Enfermagem – COFEN – Apresentação

– CÁSSIO FERNANDO SILVA – Coord. do Fórum dos Conselhos Federais da Área da Saúde – CFAS – Apresentação

– ZILAMAR FERNANDES – Emérita Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Apresentação

Mesa 2

– BRUNO COIMBRA – Assessor Jurídico da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior – ABMES – Apresentação

– ELIZABETH GUEDES – Vice-Presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares – ANUP

– JAIR SANTOS JUNIOR – Conselheiro da Associação Brasileira de Educação a Distância – ABED

– RICARDO HOLZ – Pres. da Associação Brasileira dos Estudantes de Educação a Distância – ABE-EAD

– Francisca Rêgo Oliveira de Araújo – Conselho Nacional de Saúde-CNS