VENHA DISCUTIR CONOSCO!

O Partido dos Trabalhadores sofre os mais duros questionamentos já observados em sua curta história, repleta de ensinamentos e vitórias em torno dos objetivos estratégicos e das lutas reivindicatórias das classes trabalhadoras e dos setores populares no Brasil. Críticas muitas vezes orientadas por outros projetos políticos, mas que encontram eco junto a filiados e simpatizantes por razões distintas.

O momento não é de nos afastarmos do partido que ajudamos a constituir. O 5º Congresso Nacional do PT é a oportunidade de o reafirmarmos como uma experiência exitosa de organização de amplos segmentos sociais na perspectiva de uma sociedade socialista, plural e democrática. A crise abre oportunidades de corrigir erros, reaproximar lideranças históricas e promover mudanças significativas.

A existência do direito de tendências e de participação proporcional nas instâncias de direção partidária, ao lado de outras inovações como a paridade de gênero e as cotas de participação mínima de jovens e de outros setores sociais historicamente excluídos da vida partidária, não pode ser responsabilizada por nossos principais problemas atuais, em que se destaca a crise de direção política e de organização partidária.

A responsabilidade por essa situação é de todas as tendências, lideranças e filiados, pois, em maior ou menor grau, nós permitimos que erros fossem sendo acumulados, levando a uma erosão inédita de credibilidade no partido e incapacidade de reação em curto prazo.

Erros e dificuldades que devem ser compreendidos como fenômenos políticos e sociais que estão mais diretamente ligados à nossa incapacidade de fazer autocrítica e corrigir internamente os desvios de rota que sabemos existir, seja no que diz respeito ao nosso projeto político, seja em termos de valores e condutas. Entretanto, com frequência, é dado em nosso meio mais destaque a quem nos crítica e à mídia que os repercute do que àquilo que nos cabe mudar.

Urge realizar reformas estruturais para uma nova cultura política no País – entre elas uma reforma política abrangente e que não se confunde com mudanças tópicas como as que vêm sendo aprovadas no Congresso Nacional – em que também se democratizem os partidos políticos, sob controle da sociedade. Foi nessa perspectiva que muitos de nós ajudamos a constituir o movimento “Mensagem ao Partido”, a modernizar o estatuto partidário e a aprovar o seu código de ética.

Trata-se, assim, de promover mudanças de direção política, na lógica de organização, no modo de funcionamento e na relação estabelecida entre partido, filiados e sociedade para a formação de novas lideranças políticas – com novo perfil e práticas – para que assumam progressivamente a condução desse que é um dos mais importantes instrumentos de elaboração política, de disputa de projetos e de luta das classes trabalhadoras por uma sociedade menos desigual, mais politizada e participativa.

A modernização do Partido dos Trabalhadores, sua abertura visando ampliar a participação de segmentos que resistem à prática partidária tradicional e à organização de entidades hierarquizadas, o aprendizado necessário com a experiência recente de redes sociais, diversidade de formas de comunicação, participação e mobilização não devem significar, no entanto, que deva haver total desprezo por nossa própria experiência de organização.

Nesse sentido, reafirmamos como válido e ainda atual o direito de organizamos tendências e coletivos para a produção de políticas e para a disputa de posições dentro do PT e na sociedade. Razão pela qual estamos propondo a realização de reunião com o intuito de discutirmos a conveniência e a necessidade de nos organizarmos na forma de um novo coletivo político do PT, com a proposta de que se situe dentro do movimento “Mensagem ao Partido” em São Paulo e que nos propicie exercitar nos espaços em que atuamos os valores que defendemos para o conjunto do partido.

Dentre as ideias que defendemos, atuaremos para que se faça um esforço de criação de núcleos de base apoiados na transversalidade e integralidade do nosso projeto político, não segmentados por temas ou locais de trabalho, estudo ou moradia. No mesmo sentido, por uma revisão dos papéis das secretariais, setoriais, macrorregiões, diretórios municipais e zonais. Por um novo tipo de relação entre direções partidárias, bancadas parlamentares e instâncias de base.

Defendemos uma nova forma de financiamento partidário e de campanhas, abolindo o financiamento empresarial. O fortalecimento de instâncias e práticas democráticas de formação de lideranças, de produção de políticas, debate de ideias e convencimento, que não se restrinjam a reuniões presenciais enfadonhas e nem se confundam com instâncias burocratizadas e desprovidas de poder real. Queremos estimular a criação de um centro de debates, estudos e formação política, que atue em rede com a Fundação Perseu Abramo, outras instâncias partidárias e entidades sociais que se dedicam à produção de políticas e à formação de lideranças.

Que as nossas relações com as lutas sociais não se limitem às entidades tradicionais, aos movimentos populares, aos movimentos sindicais, aos novos movimentos sociais e que avancem no diálogo e aprendizado conjunto com os movimentos sociais contemporâneos e suas ações em favor dos direitos humanos, da qualidade de vida, do respeito ao meio ambiente e à sustentabilidade. Que continuemos apoiando e aprimorando a criação e funcionamento de mecanismos de democratização do Estado e de gestão do uso dos fundos públicos em benefício da coletividade, com ênfase nos setores excluídos.

São propósitos iniciais que precisam ser discutidos, completados e modificados, tomando por referência a experiência dos que se propõem a enfrentar esses desafios, o que há de melhor na produção de teses e nas práticas das tendências do PT e no acúmulo histórico que se observa em partidos políticos, movimentos e lideranças de esquerda fora do PT, pois todos sabemos que a tentativa de criminalizar o nosso partido e de inviabilizar a continuidade desse processo complexo e imperfeito de organização de um partido cujo compromisso maior é com as classes trabalhadoras joga, de modo geral, contra a realização de utopias e possibilidades que marcaram e marcam as vidas de gerações: a luta incansável por nossos ideais socialistas.

REUNIÃO: DIA 18/6/15, QUINTA-FEIRA, 19 HORAS
LOCAL: ESCRITÓRIO POLÍTICO DO DEPUTADO CARLOS NEDER
RUA ABOLIÇÃO, 105, SALA 101, FONE (11) 31055632

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