Plenária do Neder

Foto: Wagner Alves

A plenária que marcou os seis meses do mandato do deputado Carlos Neder na Assembleia Legislativa paulista coincidiu com o momento de maior efervescência política do Brasil nos últimos anos.
O tema do evento, que reuniu mais de 250 pessoas, de 15 cidades no sábado, 29 de junho, não poderia ser mais oportuno: reflexão e mudança. Com esse mote, um intenso debate político, como há tempos não se via, tomou conta do auditório do Sindicato dos Engenheiros. Partiu de Neder a definição que talvez tenha sido a mais precisa sobre a plenária.

“Este é um rico momento de debate”, disse o deputado. Neder acrescentou que tem sido chamado a discutir modalidades de democracia e o espaço dado à recuperação da democracia direta – decorrência dos movimentos nas ruas – em ambientes que vão desde pastorais da Igreja Católica ao Conselho Estadual de Saúde.
Beatriz Tibiriçá, do Coletivo Digital do PT, deu o tom às avaliações que se seguiram sobre o momento político, ao trazer as manifestações dos jovens para o centro da discussão.
Lembrou que boa parte do grupo que toma as ruas hoje, tinha entre oito e 12 anos quando Lula foi eleito presidente. Não haveria entre eles memória coletiva de grandes atos cívicos, como os movimentos Diretas Já e o impeachment de Collor.
Beatriz enfatizou que os governos petistas optaram por uma saída da crise baseada no estímulo ao consumo, aposta da qual podem derivar determinadas atitudes na sociedade. “Essas pessoas pensam muito mais no direito como consumidor, do que como militante”, ressaltou.
Ela pontuou ainda que, ao contrário do que se costuma dizer, o Movimento Passe Livre já atuava há anos, inclusive em atos de protesto contra as administrações Serra e Kassab. “Temos de reconhecer a credibilidade que esses jovens tem”, disse. “Eles foram às ruas. Nós temos de voltar às ruas com nossa memória coletiva e recolocar as bandeiras que ainda não conquistamos”, completou.

Temos de fazer muito mais


O deputado federal Paulo Teixeira, que é secretário-geral do PT e candidato à presidência nacional da sigla pelo grupo Mensagem ao Partido, apontou como oportuna a reivindicação da juventude. “Essa luta é justa”, frisou.
Para o parlamentar, os apelos por mudança têm relação direta com o documento programático da Mensagem, que prega uma segunda revolução democrática, com aprofundamento das transformações sociais iniciadas nas gestões petistas.
“Fizemos muito, mas temos de fazer muito mais”, afirmou Paulo, defendendo mudanças profundas na saúde, no mercado de trabalho e na segurança pública. “Há um déficit democrático. Nossa democracia tem problemas sérios pois o sistema eleitoral está capturado pelo poder econômico”, ressaltou, ao defender uma democracia de “alta intensidade”, com a realização de referendos e plebiscitos.
Outro dirigente petista, o secretário nacional de Formação do partido, Carlos Henrique Árabe, expressou também posição em prol das manifestações. “A primeira condição para buscarmos resultado favorável é nos colocarmos do lado dessas manifestações. Isso é fundamental”, afirmou.

Árabe defendeu a posição assumida pela Executiva nacional, de apoiar a realização de um plebiscito pela reforma política. “Não é o PT ganhar o plebiscito. É construirmos um avanço da democracia que estará em jogo no plebiscito”, disse.
Na avaliação do dirigente, há um forte questionamento ao sistema político e o PT é o principal partido do Brasil. A agremiação, segundo ele, precisa fazer sua própria autocrítica. “Desde a crise de 2005, defendemos que o partido deveria afastar os dirigentes acusados de corrupção. Levamos isso até certo ponto. Não conseguimos concluir”, argumentou.
Ainda a respeito do plebiscito, o vereador Nabil Bonduki defendeu a necessidade de mais discussão interna para construção de um entendimento mínimo sobre o que se quer da reforma política. “Alguém tem dúvida sobre quem vai ganhar se colocarmos financiamento público e financiamento privado de campanha?”, questionou.
Nabil ressaltou que há um sentimento forte de mudança na sociedade. Em parte, pautado pelo PT. Contudo, o partido colocou em prática apenas uma parte das mudanças históricas, que sempre defendeu. “Várias pautas do nosso ideário não foram concretizadas”, afirmou o vereador. Entre elas, citou a regulamentação dos meios de comunicação, a resposta aos problemas urbanos e até a pauta ambiental, que foi para “terceiro plano”, nas administrações Lula e Dilma.
No mesmo sentido do vereador, o militante Artur Scavone pontuou que tudo o que não aconteceu nas gestões petistas, “explodiu” nas manifestações de rua. “Há ausência de um canal político à esquerda, que PT sempre ocupou e não ocupa mais. O caminho da reforma política, via plebiscito, é o que temos de disputar”, defendeu.
“O PT e a Mensagem ao Partido têm de se autocriticar por não ter feito o que deveria ter feito. Precisamos debater para colocar o PT nos trilhos. O partido tem dívida e o governo não está respondendo a isso. Não havia mais sensibilização, inclusive da militância”, disse Scavone.
Já a presidenta municipal do PT, vereadora Juliana Cardoso, destacou a dificuldade de lidar com os acontecimentos dos últimos dias diante da postura ambígua da imprensa, que tentou criminalizar o movimento, em um primeiro momento, para depois editar imagens dos atos de protesto, com viés contrário ao PT.
“O Movimento Passe Livre tem posição séria e coloca em pauta a discussão da qualidade de transporte. Outros grupos, que vem no entorno, inclusive da direita, utilizam isso para se opor ao PT”, pontuou Juliana.
Para ela, a ocasião é propícia para colocar as bandeiras nas ruas como forma de fazer a discussão. “Falta sim um segundo ciclo de reivindicação, por cultura de qualidade, transporte de qualidade e mais acesso. Mas não podemos deixar a direita derrubar dez anos de construção, quando Brasil não colocava o povo na universidade, não tinha programa de casa própria”, acrescentou.
O deputado Carlos Neder lembrou que houve reunião da bancada de deputados estaduais com Fernando Haddad, na qual o prefeito sinalizou medidas para radicalizar a democracia e participação popular em seu governo. “O próprio prefeito deverá anuncia-las”, disse Neder.
A primeira-dama do município, Ana Estela Haddad, disse ter ficado feliz com a qualidade do debate e com as questões abordadas. Frisou a grande dificuldade do início do governo e o envolvimento do prefeito e seu secretariado para dar resposta à crise. “A responsabilidade fica triplicada e precisamos dar conta desse recado. Espero que a gente sempre tenha a clareza de fazer o que tem de ser feito”, afirmou Ana Estela.
Em comum, a maioria dos participantes saudou a iniciativa do mandato Carlos Neder, que mantém a tradição de reforçar o debate político, mesmo nos momentos mais difíceis e quando as respostas não se apresentam tão claras.

 

 

2 Comentários

  1. Parabéns Deputado Carlos Neder, a Plenária do mandato contou com a presença dos companheiros e companheiras de várias cidades do Estado de São Paulo, e também do Deputado Federal Paulo Teixeira, vereador Nabil Bonduki, Carlos Árabe, Beatriz Tibiriça, Ana Estela Haddad, prefeito da cidade de Leme, vereador de Santos, representante da Juventude do PT, e enfim vários representantes dos diretórios zonais PT. O debate abordou a ampliação da democracia, dos movimentos de rua, Reforma Política, Plebiscito, o divisor de águas da era LULA e era Dilma sobre a questão da comunicação/publicidade no Governo, e também tivemos a oportunidade de expressar as nossas idéias. A plenária foi sucesso absoluto. Valeu. (Lincoln – DZ Vila Mariana SP).

  2. Neiva Maria Rogieri Caffaro – Como médica e como ativista e consultora do Movimento Popular de Bio Saúde do Brasil, parabenizo Neder , pelo trabalho que vem realizando como deputado estadual ( ao qual a Plenária deu grande visibilidade ) e pela REDE SOCIAL RECÉM INSTALADA ( que propicia mais informação e , portanto, mais participação ) . Parabenizo também a equipe organizadora da plenária : um providencial e rico EXERCÍCIO de discussão / participação quanto aos rumos do Partido frente aos desafios que a mobilização nas ruas traz ao modo petista de governar. Ênfase foi dada à necessidade de retomar a formação , com ênfase na formação dos militantes jovens ( bem como a “recuperação” dos núcleos de base ), no sentido de promover uma resposta satisfatória da militância do PT frente à conjuntura nacional e particularmente a do Estado de São Paulo . A cada plenária de mandatos populares, como o do Neder, RENASCE A ESPERANÇA , O BOM ÂNIMO E A CORAGEM … NAS MENTES, NOS CORAÇÕES E NAS ATITUDES DAS PESSOAS CONSCIENTES DE SEU PAPEL NA PARTICIPAÇÃO DO PROJETO DEMOCRÁTICO EM CURSO NO BRASIL… É A REVITALIZAÇÃO DE VÁRIAS FRENTES DE LUTA DA CLASSE TRABALHADORA E DE SUAS FRAÇÕES PARA CONQUISTAR A LIBERDADE E A DIGNIDADE , O EXERCÍCIO DA PLENA DEMOCRACIA ! É O DITO POPULAR FALANDO ALTO… “SE O DESTINO LHE DER O AZEDO DO LIMÃO, FAÇA UMA LIMONADA ! ” DÁ GOSTO VER A DILMA , OS MOVIMENTOS SOCIAIS E O POVO , QUE A FIZERAM PRESIDENTA, FAZENDO LIMONADA ! BRINDEMOS E BEBAMOS , ENERGISEMO-NOS ! …PERSEVEREMOS ANTIDOTANDO O AZEDUME DA ELITE PREDATÓRIA DA VIDA COM A DOÇURA DAS AÇÕES PARTICIPATIVAS E INCENTIVADORAS DE PROFUNDAS TRANSFORMAÇÕES ECONÔMICAS E SOCIAIS DEFENSORAS DA VIDA ! ANIMEMO-NOS COM A PERSPECTIVA DO PLEBISCITO SOBRE A REFORMA POLÍTICA ! LEVANTEMOS COM MAIS ENERGIA NOSSAS BANDEIRAS E REFORCEMOS O BOM COMBATE PELA VERDADEIRA DEMOCRACIA E… COM TODO O APOIO À DILMA ! SEJA NOSSA PRESIDENTA DESAGRAVADA NAS RUAS E PRAÇAS ! ELA PRECISA DESSE DESAGRAVO ! ELA MERECE !

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