Por: Rose Silva
Fotos: Marcelo Vinci

A integridade de caráter, os valores socialistas, a capacidade de ouvir e ensinar e, sobretudo, a atualidade  de seu legado e sua obra foram destacados nos discursos proferidos durante a homenagem a Perseu Abramo, realizada na noite de 13 de junho, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, pela Fundação Perseu Abramo (FPA). Em tom emocionado, amigos, familiares, companheiros de militância e profissionais de imprensa que conviveram com o jornalista, morto em 1996, expressaram parte do que aprenderam e compartilharam com ele.

Participaram da mesa de abertura o ex-governador do Rio Grande do Sul Olivio Dutra,  o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência no governo Lula e ex-presidente da FPA, Luiz Dulci, o poeta e presidente do Conselho Curador da FPA, Hamilton Pereira, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e os jornalistas Kátia Passos, Lia Ribeiro Dias e Paulo Motoryn. Os familiares do homenageado Laís, Marta, Helena, Marco e Bia Abramo leram mensagens enviadas pelo economista Paul Singer, pelo ex-ministro da Controladoria Geral da União Jorge Hage, pela orientanda de Perseu Inaiá Carvalho e pelo ator Sergio Mamberti.

O presidente da Fundação, Marcio Pochmann, foi mestre de cerimônia do evento, durante o qual foi relançado o livro Padrões de Manipulação na Grande Imprensa, cuja primeira edição havia sido publicada em 2003.  “Este livro tem um significado especial nos dias de hoje, ele nos chama a atenção para o fato de que a manipulação não é apenas movida pela busca do lucro, mas é uma ação política na essência. E é justamente isso que tem se revelado com cada vez mais clareza. Grupos de mídia se esforçam cada vez menos para disfarçar que são os verdadeiros partidos de oposição ao PT”, escreveu o ex-presidente Lula em um trecho mensagem lida por Pochmann na abertura.

Segundo Luiz Dulci, Perseu Abramo personificava os valores socialistas, e a homenagem a ele tem um significado especial neste momento.“O que está em jogo no país tem tudo a ver com a vida dele. Com as causas às quais se dedicou, com sua visão de Brasil. Porque a disputa que estamos fazendo contra o movimento golpista não é somente em defesa de um governo legítimo, fruto do voto popular. É também de um projeto de país que permitiu ao Brasil se afirmar de modo soberano no mundo, superando uma diplomacia subalterna e agachada, e que libertou da miséria e da fome 40 milhões de brasileiros.”

Dutra disse que se lembra da paciência de Perseu no final da década de 70, quando ambos participavam da luta contra a ditadura e da fundação do PT. “Era uma paciência incrível para ouvir e costurar tudo com reflexões. Ele ligava as lutas sindicais à luta cultural e política. Era também muito organizado, praticamente uma secretaria ambulante do partido nos primeiros tempos”, lembrou.

A jornalista Lia Ribeiro Dias, que militou com Perseu no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo destacou sua capacidade de análise, sua firmeza e ponderação. “Perseu foi o catalisador no Sindicato das comissões da liberdade de imprensa. Nos ensinou, a nós tão empolgados com a precária liberdade de imprensa na grande mídia, que havia um enorme diferença entre liberdade de imprensa, dos patrões, e a liberdade de expressão, ou seja, o direito de a população ter acesso aos fatos e à diferentes análises desses mesmos fatos. A diferença entre a propagada liberdade de imprensa do dono do meio de comunicação e o direito do jornalista a se manifestar e à clausula de objeção da consciência, de ele não escrever sobre aquilo que sua consciência estava em total oposição”, relatou.

O jovem Paulo Motoryn, colaborador da revista Vaidapé, relatou a importância do livro de Perseu Abramo para definir sua própria trajetória como jornalista.”Há cinco anos, recebi a tarefa de fazer um resumo deste livro. Eu, que estava mergulhado num estágio de dez horas por dia num jornal de esporte, me dei conta de que a grande imprensa não é o jornalismo que eu gostaria de seguir. Entendi que a geração de Perseu Abramo e tantos outros lutadores e lutadoras nos deixou um legado que era um diagnóstico: a grande imprensa não representa nossos interesses. E nossa geração está assumindo a tarefa de propor alternativas, um novo modelo”, relatou. A partir da leitura do livro, disse, alguns jovens estudantes de jornalismo da PUC, da USP e do Mackenzie começaram a se encontrar e a fazer a revista Vaidapé, que já está em sua quinta edição impressa.

Leia aqui algumas mensagens lidas na homenagem:

Paul Singer, economista
Jorge Hage, ex-ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU)
Inaiá de Carvalho, professora da Universidade Federal da Bahia
Sergio Mamberti, ator
Waldir Pires, ex-ministro
Hamilton Pereira (Pedro Tierra), poeta, presidente do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo
Lia Ribeiro Dias, jornalista, ex-dirigente sindical
Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República

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