Foram precisas três convocações para que o reitor da USP Marco Antonio Zago participasse da prestação de contas a convite da Comissão de Educação e Cultura, presidida pelo deputado Carlos Neder, no auditório Franco Montoro da Assembleia Legislativa. O encontro foi importante porque pela primeira vez o reitor, escolhido pelo atual governo do Estado, a partir de uma lista tríplice, reconheceu a falta de recursos do orçamento estadual para a Universidade de São Paulo.

Num clima tenso, o encontro contou com a presença, à mesa, além do presidente da Comissão e do reitor, dos deputados Carlos Gianazzi, Sarah Munhoz e Beto Trípoli. Da plateia, entidades de classe dos docentes (Adusp), dos funcionários (Sintusp) e dos estudantes (DCE) criticaram o “processo de sucateamento da universidade imposto pelo reitor, além do desrespeito à luta dos profissionais que trabalham na instituição, com o corte dos seus salários, durante a greve que já dura 114 dias”.

Marco Antonio Zago foi bastante criticada também por estar permitindo que duas referências no ensino da medicina e atendimento ao público no Estado, o Hospital Universitário da USP (HU) e o Hospital de Prevenção de Anomalias Crânio Faciais (Hrac), conhecido como Centrinho de Bauru, sejam desvinculados da universidade e entregues à Secretaria estadual da Saúde.

Antes de atender aos questionamentos do público e parlamentares presentes, o reitor apresentou uma exposição onde defendeu a importância da USP para o país. Quanto à crise enfrentada pela instituição, Zago alegou a dificuldade atual do orçamento, inclusive, o mesmo argumento foi utilizado para a transferência dos hospitais ao Estado. Segundo ele, “eu sou proibido de contratar recursos como soro, anestésico, antibiótico. Não deve ser a USP que vai subsidiar a Saúde”, afirmou o reitor da Universidade de São Paulo.

A prestação de contas de Marco Antonio Zago, na Comissão de Educação e Cultura foi encerrada com pedidos de estudantes e acadêmicos para que o reitor da USP renunciasse ao cargo.

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