Decisão do governo estadual de fechar escolas para separar alunos por ciclos é reprovada por comunidade. Itaquaquecetuba e Mauá fizeram atos ontem. Novos protestos, amanhã

Por Rede Brasil Atual

Pais e alunos protestaram ontem (5) em Itaquaquecetuba, no região do Alto Tietê paulista, contra o fechamento da Escola Estadual Cícero Antônio de Ramalho. Há cerca de três semanas, eles foram comunicados sobre o fechamento da unidade e a transferência de cerca de 900 alunos, por conta do novo plano da secretária de Educação de separar alunos de acordo com os ciclos de ensino.
O fechamento da escola está enquadrado no que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) vem chamando de reestruturação do ensino público: fechar vagas noturnas nas escolas estaduais, separar fisicamente as escolas de Ensino Fundamental das escolas de Ensino Médio, o que poderá render turmas superlotadas, como é a preocupação Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo)

Segundo o sindicato dos professores, parte destes estudantes vai ser remanejada para uma unidade que fica localizada em outro município. Para os pais, a atitude do governo é arbitrária e coloca em risco a segurança dos próprios alunos. “A escolas que eles querem levar o filho da gente é muito longe”, reclama a mãe Ilda Maria da Silva.

O aluno Luiz Guilherme Silva, que também participava do protesto, conta que a transferência para outra escola vai trazer prejuízos. “Nossa mãe não tem condição de pagar perua para nós, e o governo não dá aquelas vans escolares. Agora, nós vamos ter que estudar em outro lugar. Mais longe daqui. Vai ficar ruim para nós”

O remanejamento também deve significar demissões. “Os professores estão inseguros, mesmo porque são mais de 70 professores, aqui nessa escola, e ninguém sabe ainda como vai ficar a situação funcional”, diz Maria de Lourdes Rafael, coordenadora da Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp).

ABCD

Movimentos sociais, alunos, pais e professores da rede estadual de Educação organizaram também ontem protestos nas cidades do ABCD contra o governador Geraldo Alckmin e o fechamento de escolas.

Em Mauá, cerca de 200 pessoas protestaram em frente à Diretoria Regional de Ensino. Em Ribeirão Pires, professores e alunos foram à Câmara para reclamar da falta de diálogo do governo do Estado. Para amanhã estão previstos atos em Santo André e São Bernardo.

“Estamos preocupados, pois além de fechamento de salas de aula, a medida significa um prejuízo ainda maior com o remanejamento das escolas. Não temos informações oficiais; o governo não dialoga”, explicou o membro da Executiva da Apeoesp de Santo André, Alexandre José Ferraz.

No final do mês passado, a Secretaria Estadual de Educação anunciou que, a partir do ano que vem, será feita uma “reestruturação da rede estadual de ensino”. Foram encaminhadas cartas às escolas sugerindo a transferência de alunos do período noturno para o diurno, o que preocupou estudantes que já trabalham. Além disso, o governador quer que as escolas sejam separadas entre Ensino Fundamental e Ensino Médio, o que poderá afastar as unidades de ensino das residências dos alunos.

“No nosso entendimento, o correto é que se reduza o número de alunos por classe, em benefício da qualidade do ensino. Em 2015 verificamos o fechamento de pelo menos 3390 classes. Temos salas com 60 alunos, o que é inaceitável”, avaliou a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel. No ano passado, somente no ABCD foram fechadas mais de 300 salas de aulas, a maioria noturna.Explicação

A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo afirma que não terá fechamento de salas de aulas e que a proposta é melhorar a educação estadual e que terá limite de 1,5 km de distância para transferência de estudantes.

De acordo com a secretaria, no dia 14 de novembro, em todas as escolas estudais, serão realizadas reuniões com os pais e alunos para explicar a reestruturação. Cada unidade escolar vai estabelecer os horários.

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