Car@ amig@,

O seu desconforto em relação ao PT também é meu e de outros tantos que participamos de sua fundação. Gradativamente fomos nos tornando minoritários ao defender seu projeto original, seja em decorrência da opção que adotou para chegar ao governo federal e outros mediante atalhos questionáveis, seja porque o partido cresceu muito em razão das conquistas que obteve no plano institucional. São novos contingentes de filiados sem grande definição ideológica e que, salvo exceções, passaram a ver no PT um canal eficiente para acesso a bens e benesses. Contribuíram para isso o baixo investimento em formação política e a orientação adotada por uma maioria que vem se perpetuando, apoiada na lógica do vale tudo para a  conquista de espaços institucionais e busca de governabilidade (no Executivo e no Legislativo) a qualquer preço.
Com isso perdemos muito do que nos diferenciava em relação aos partidos tradicionais e conservadores, movidos pela corrupção, focados quase que exclusivamente na democracia representativa e convivendo com seus vícios como se fossem virtudes. A tal ponto que muitos se perguntam qual o sentido de continuar no PT. Mas, é preciso reconhecer, existe outra face desse questionamento que é sair do PT para qual partido? Digo isso porque por mais críticas que tenhamos a essa modalidade de democracia (partidos políticos, eleições, votos e ocupação de espaços institucionais), penso ser um equívoco abandoná-la como possibilidade, depois de tanta luta contra o autoritarismo. Daí a necessidade de repensarmos a democracia representativa no país com base em profunda reforma política, do quadro partidário e do modo de funcionamento dos partidos, democratizando-os e submetendo-os a efetivo controle da sociedade.
Ao lado disso, em sintonia com nossa história anterior e as manifestações de ruas que vimos observando, precisamos renovar a linguagem e a prática política, dando razão aos jovens e a novas lideranças que felizmente vão surgindo. Eles denunciam as insuficiências do nosso modo de fazer política, questionam a burocratização dos partidos, dos sindicatos e até mesmo dos novos movimentos sociais, colocando como possibilidades as redes sociais, a ampliação da oferta e a democratização dos meios de comunicação, quebrando monopólios e paradigmas. São iniciativas francamente progressistas em seu conjunto, na medida em que avançam no sentido de outro tipo de relação entre as modalidades de democracia representativa, democracia participativa (conferências, conselhos de gestão compartilhada, orçamento participativo) e democracia direta, com a retomada de ações de ruas e de enfrentamento do poder constituído, com autonomia de organização e mobilização.
Novas propostas vão surgindo, o que desafia também os programas partidários e eleitorais. Dessa forma, resumidamente, vejo como animadoras essas possibilidades abertas na conjuntura atual, mesmo em um quadro em que os indicadores macroeconômicos geram fortes incertezas, em escala mundial. Em um partido bastante heterogêneo como é hoje o PT, cuja orientação política e caráter socialista permanecem em disputa, faço parte de um movimento denominado Mensagem ao Partido, criado no auge da crise do chamado mensalão e que conta com a participação de ministros, governadores, prefeitos, parlamentares e outras lideranças sociais.
Tivemos papel relevante na crítica ao ocorrido, na exigência de que o próprio partido analisasse os fatos e avaliasse níveis de responsabilidade dos dirigentes envolvidos. Protagonistas na elaboração do código de ética e do estatuto do partido, além de lançarmos candidatos para concorrer aos cargos de direção do PT no PED (processo de eleição direta). Lembro que o direito de tendências e de participação proporcional das chapas nas instâncias de direção do PT é um dos fatores a diferenciá-lo dos partidos de esquerda tradicionais, que não admitiam facções, correntes e movimentos internos questionando a linha majoritária.
Com a teimosia dos capricornianos (rsrs) continuo insistindo em ver o PT como uma alternativa séria para aprofundar a revolução democrática, melhorar sensivelmente as políticas públicas, continuar reduzindo a desigualdade social, para fortalecer o tecido social com ampla liberdade e favorecer uma cultura política inovadora e participativa, que nos obrigue a avançar cada vez mais. Caso você tenha interesse, posso enviar-lhe alguns documentos da Mensagem ao Partido para que você avalie nossa contribuição nesse sentido. Além disso, no www.carlosneder.com.br você pode ajudar-me na crítica ao que tem sido minha atuação como deputado estadual. Creio que a maioria dos colegas não receba os boletins semanais e outras publicações eletrônicas do mandato, uma vez que desconheço se haveria interesse por parte deles.
Agradeço muito sua atenção e gostaria de saber suas opiniões a respeito.
Forte abraço.
Carlos Neder

 

1 Comentário

  1. Na história da humanidade sempre existiu e existirá mudança, evolução e transformação, separada por períodos, Pré-História, Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea. Cada era teve suas influencias fortemente marcadas pelos diferentes comportamentos e culturas. Hoje, o desenvolvimento da Tecnologia de Informação revolucionou a forma de comunicar, e transformou a cultura da sociedade arraigado no mundo virtual, que multiplica o acesso a informação e comunicação entre as pessoas sem barreiras geográficas. Na minha visão, há necessidade de inovar a nossa política brasileira, o nosso partido PT está a um passo a frente dos outros partidos com relação ao projeto da Reforma Política, sem dúvida será uma vitória da democracia. O nosso Deputado Carlos Neder, é um homem que representa a modernidade dos novos tempos, um homem com excelente visão dentro do PT. Criou o site e rede social Carlos Neder, isso abre janelas de oportunidades e produz uma sinergia positiva para o sistema político e a sociedade.Realmente é Business Intelligence, a chave do sucesso para o Partido dos Trabalhadores.

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