ATUALIZADO EM 04/01/2016 – 14:06

 

Jornal GGN – Na época da gestão da prefeita Marta Suplicy, a cidade de São Paulo deu os primeiros passos na direção da inclusão digital. Durante anos, o programa de Telecentros buscou garantir o acesso das populações mais pobres à tecnologia e à internet.

Desde então, muita coisa mudou. O número de famílias que possuem computador em casa aumentou. Além disso, o bum de crescimento da telefonia móvel e o próprio desenvolvimento do acesso à internet por meio de dispositivos móveis alteraram a dinâmica da inclusão digital.

Hoje, as pessoas já possuem os dispositivos para se conectar à internet. A demanda é muito mais pelos pontos de acesso livres, pelo wifi gratuito. E é isso que a Prefeitura vem tentando entregar, em praças e pontos de ônibus.

Além disso, o próximo passo é democratizar a Internet das Coisas. A impressora 3D chegou para revolucionar os meios de produção e o poder público está criando laboratórios de fabricação digital para que as pessoas aprendam a lidar com essas ferramentas. O primeiro Fab Lab foi inaugurado em 17 de dezembro, na Cidade Tiradentes.

No final do mês de outubro, Luis Nassif entrevistou o secretário municipal de Serviços, Simão Pedro Chiovetti.

Na ocasião, ele falou sobre essas questões e sobre a modernização do parque de iluminação da cidade de São Paulo. Além disso, comentou a atuação do Ministério Público de São Paulo na investigação das denúncias de corrupção e cartelização nas obras do Metrô.

Dos Telecentros às praças wifi: a evolução da inclusão digital

O secretário Simão Pedro lembrou que a primeira política de inclusão digital da cidade foi criada no ano 2000, durante a gestão da prefeita Marta Suplicy, para responder a uma demanda pelos meios de acesso à internet. “Criar espaços públicos com computadores e acesso à internet era uma demanda muito forte”, disse. A política pública foi feita do zero e ao final da gestão da prefeita, havia 126 Telecentros na cidade.

Gilberto Kassab fez, então, um programa para expandir esse número a 500. Quando Fernando Haddad assumiu a Prefeitura havia cerca de 380 Telecentros, mas eles estavam fechando por falta de fôlego. “Eles fizeram um programa de expansão muito artificial. Pegava a entidade e falava: vou te dar o Telecentro. Tinha uma verba pra reformar a entidade, R$ 1500 que ela aproveitava pra pagar conta de luz e água. Então, para muitos era um meio pra dar uma alavancada na sua entidade social”, explicou.

Mas a procura pelo serviço era baixa e estava caindo. Os cursos oferecidos pelo programa ainda eram da época da prefeita Marta e estavam defasados. Simão Pedro acredita que o acesso maior a bens de consumo colocou computadores dentro das casas da população e diminuiu a necessidade dessa infraestrutura. “Os aparelhos móveis começaram a surgir com muito mais frequência e uso. O Telecentro começou a definhar, e a demanda passou a ser internet livre em locais públicos”.

Com isso, a estratégia da Prefeitura mudou. Ficou decidido que seria mantido um número menor de Telecentros, apenas os que tivessem frequência. E os demais recursos foram direcionados para a criação das praças digitais.

Foi o início do programa WiFi Livre SP, que hoje já conta com 120 praças com capacidades de conexões simultâneas que vão de 70 a 250 usuários dependendo do tamanho da praça.

Laboratórios digitais: a popularização das impressoras 3D

O novo programa da Prefeitura é mais ousado, pretende dar à população o acesso a ferramentas de fabricação digital de última geração. De acordo com Simão Pedro, até março de 2016 já haverá uma rede de 12 equipamentos espalhados pela cidade, com computadores, impressoras 3D, fresadoras e cortadoras a laser.

Quatro desses laboratórios ficarão na região central e os outros oito espalhados pela periferia da cidade. O primeiro Fab Lab foi inaugurado em 17 de dezembro, na região de Cidade Tiradentes.

O programa custou R$ 5 milhões para ser implementado. Além da infraestrutura, o município vai oferecer cursos de formação dos mais simples ao mais sofisticado. “Vamos ter cursos de um dia, que é mais uma vivência, cursos de uma semana e de um mês. Nesse último, o cara vai ficar bom no uso dessas ferramentas”, acredita o secretário.

Ele explicou que a escolha de priorizar a periferia foi feita com base em dados. “A periferia é onde as pessoas vivem e passam a maior parte do seu tempo. E onde se tem menos acesso a essas coisas. Uma praça WiFi na periferia, comprovadamente, tem um uso muito maior do que as do centro. Um Telecentro na periferia é muito mais usado do que nas regiões centrais”.

Mercúrio, sódio e LED: a modernização do parque de iluminação de São Paulo

O secretário também falou sobre a modernização do parque de iluminação de São Paulo. O plano da Prefeitura é colocar um aparelho em cada luminária da cidade, o primeiro passo para um sistema mais inteligente, que ofereça mais diagnósticos.

Simão Pedro explicou que, hoje, o município paga a concessionária de energia (Eletropaulo) por estimativa. A conta é feita com base no consumo médio de uma luminária de vapor de sódio, multiplicando o total de luminárias pelo número de horas que elas ficam acesas.

A tecnologia para medir o consumo exato já existe, mas precisa ser instalada. Recentemente, o Tribunal de Contas do Município aprovou a licitação para essa modernização. “O mais interessante é que eu vou poder, inclusive, controlar. Se eu precisar baixar um pouquinho a luminosidade durante a madrugada porque o fluxo de pessoas e de carros é menor, eu posso”, disse o secretário de Serviços.

Ele informou que o poder público já trocou mais de 250 mil luminárias antigas, de mercúrio, para outras mais modernas, de vapor de sódio. “250 mil é duas vezes Manaus, duas vezes Goiânia, é quase um terço do nosso parque”. Além disso, o parque foi ampliado em 46 mil pontos, chegando a 600 mil.

O Ministério Público de São Paulo e o escândalo do cartel do Metrô

Por fim, Simão Pedro comentou brevemente o caso de formação de cartel, pagamento de propina e corrupção no Metrô paulista. Em junho de 2012, quando ainda era deputado na Assembleia Legislativa, foi ele quem acionou o Ministério Público pedindo investigação das denúncias.

“Não é possível que não prendam alguém, que não pegue algum funcionário público. Não é possível. Porque a Siemens fez a delação premiada acordo de leniência. Ex-diretores da empresa fizeram deleção premiada contando como era a divisão, o cartel e o conluio de funcionários públicos”, lembrou.

Para ele, o Ministério Público deve satisfações à sociedade. “Um caso que é semelhante ao esquema da Petrobras, mesmo modus operandi, inclusive as mesmas empresas. Será que numa delação premiada dessas o cara não informou o esquema do Metrô e da CPTM? Não deu dicas? Isso que me intriga”.

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