Atividades físicas e educativas mudam hábitos de idosos do sertão sergipano

Ao chegar ao povoado de Gado Brabo Sul, a 22 quilômetros da sede do município de Nossa Senhora das Dores no médio sertão sergipano, o médico cubano Rodolfo Garcia Baluja começou a desenvolver um trabalho com os idosos da região. Ele tem aplicado atividades de relaxamento, alongamento, exercícios de respiração, danças e palestras sobre alimentação saudável, higiene pessoal e dos alimentos, saúde coletiva, controle do lixo, contaminação das águas, entre outros temas.

Antes de iniciar as consultas na Unidade Básica de Saúde(UBS), o profissional do programa Mais Médicos faz três vezes por semana uma atividade com exercícios e palestras temáticas com informações sobre saúde. O grupo de idosos começou com 10 pessoas e hoje, três meses após o início das atividades, já está com quase 50.

“Antes ninguém fazia atividade aqui, só de vez em quando que faz uma caminhada. Agora quem nunca dançou já está dançando. Eu mesmo tenho uma dor nas costas e com as atividades já melhorei muito. Até o colesterol baixou um pouco porque a gente sua, samba e queima caloria” relata a faxineira Zenilde Bispo dos Santos. Iniciativas lúdicas, artísticas, de dança e descontração também fazem parte desse trabalho de recuperar a saúde dos idosos.

Segundo o médico Rodolfo, os problemas de saúde mais recorrentes no povoado de Gado Brabo Sul são os relacionados ao trabalho. Lombalgia, dores musculares, exposição excessiva ao sol, e parasitoses devido à falta de saneamento e má qualidade da água. Alcoolismo e doenças crônicas também são comuns, como diabetes e hipertensão. “São pessoas muito carentes. Não se alimentam bem, existe muita verminose. Agora, com o trabalho, estamos conseguindo mudar os hábitos de higiene pessoal e estimular uma alimentação saudável”, comenta o cubano.

Entre os trabalhos de educação em saúde, ele ressaltou o problema da água. “É uma população carente de água. Eu falo da origem da água e explico que tudo tem que estar bem limpo, tem que saber se a água é boa. Como tem muito verme aqui, não adianta apenas tratar as pessoas para depois elas contraírem de novo a enfermidade pela água. Estamos trabalhando muito com essa questão da educação”, relata o Dr. Rodolfo.

Com 68 anos e aposentada, Maria da Graça Lima comemora os novos hábitos. “Estava com uma dor no joelho e hoje estou muito melhor. A gente samba, brinca de Reisado (dança folclórica da região)”, narra Maria. Na palestra sobre a água, Maria aprendeu a sempre ferver a água antes de tomar, colocar no filtro, e sempre lavar as mãos. “A gente não fazia isso. Quase não lavava as mãos, para falar a verdade”, comenta a aposentada, que só faltou um dia de atividades com o Dr. Rodolfo.
Lucas Pordeus Leon / Blog da Saúde

Ministério da Saúde

 

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