Movimentação do mandato prevê a construção de coletivo que aglutine campo da esquerda

Na segunda-feira, dia 30/01, acontece o Ato “Petista não Vota em Golpista”, uma mobilização da militância do partido contrária à aliança de deputados e senadores do nosso partido na definição das Mesas Legislativas com candidatos que sustentaram o golpe contra a presidenta Dilma e que tem retrocedido nos direitos da população. O ato em si fortalece a luta pela coerência partidária, ou seja, a reorganização das nossas alianças e programa para a representação da classe trabalhadora dialogando com os anseios das bases do partido.

Fruto dessa mobilização há reconhecimento do presidente nacional do PT, Rui Falcão, de que é preciso levar em conta essa posição que vem sendo manifestada pela militância e por simpatizantes do campo da esquerda, o que consideramos uma importante vitória desse momento de quebra da apatia. Assim o mandato estará presente no ato e reforça o convite para que todos participem nesta segunda-feira (30/01), às 18h no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo (veja convite para o ato aqui).

No entanto, o movimento para que nosso partido represente a realidade dos seus filiados não é de hoje. Há anos ecoam vozes para reavaliarmos nossos métodos de escolha das direções partidárias e de candidaturas a cargos eletivos, além da atualização de pontos fundamentais do nosso programa, como encarar as reformas estruturantes que nossos governos não fizeram, como as reformas política, da mídia, tributária, dentre outras. Internamente há um clamor por avaliação política de nossos acertos e erros, gerando respostas em que movimento por autocrítica das atuais direções é por vezes banalizado.

Decisões como essa referentes às Mesas Diretoras dos Parlamentos e outros diretamente relacionadas ao processo do 6º Congresso do PT poderão se constituir em novo alento para reafirmar o PT como um partido da esquerda democrática, para corrigirmos os rumos do PT sem sermos atropelados mais uma vez pelo calendário eleitoral, sem que temas controversos sejam equacionados com ampla participação, tais como as escolhas de fontes de financiamento do partido e de candidaturas, política de alianças, composição e método de escolha das direções partidárias, culminando com a decisão sobre nosso papel e o peso que daremos aos movimentos de aglutinação do campo da esquerda.

A antecipação do 6º Congresso foi reivindicada e aceita para realizarmos esses debates aproveitando o choque de realidade que as eleições e o golpe nos impuseram. Agora, temos o desafio de evitar a indicação de direções à revelia e antecedendo ao debate político que se espera do Congresso. O Muda PT, movimento interno ao PT ao qual nos vinculamos, foi contrário à realização do PED, mas sendo voto vencido curvou-se à decisão de que a etapa municipal do Congresso e a eleição das direções zonais e municipais, bem como de delegados/as às etapas estaduais e nacional, se fará por meio do PED que vimos combatendo e denunciando por suas incongruências com a proposta de fazer do PT um partido socialista e de massas.

Defendemos a renovação de lideranças partidárias e ações solidárias a outras lideranças, movimentos e partidos de esquerda o que implica em grande investimento em formação política, incentivar a contraposição de ideias dentro do PT e em sua relação com a sociedade. Por decisão da maioria do mandato, estando consolidada essa modalidade em âmbito municipal, nos faremos presentes no 6º Congresso para dialogar com os demais setores do partido. Pessoalmente, o deputado Carlos Neder não integrará nenhuma chapa para o PED, mas fará a defesa do movimento Muda PT, de suas teses e chapas, no esforço de contribuir com o debate nas etapas livres e demais eventos abertos do Congresso.

Nosso mandato estará junto com o movimento Muda PT e estreitará laços com representantes da esquerda que não constituem o partido. Buscando a constituição de um novo coletivo de esquerda, seguiremos em luta pela defesa da classe trabalhadora, da gestão pública sob controle da sociedade e atentos para superar nossas contradições.

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