O mandato do deputado Carlos Neder promoveu o primeiro de uma série de debates sobre educação, que reuniu dezenas de militantes do PT que atuam nessa área. Sob o tema Políticas Públicas na Educação e Avaliação das Unidades Educacionais, o encontro, realizado em 14 de abril,  colocou e discussão diferentes aspectos da questão, a partir de uma visão militante e petista.

Os debatedores convidados – Selma Rocha, doutoranda em História e coordenadora do Setorial Nacional de Educação do PT, e Ocimar Munhoz Alavarse, doutor em Educação e coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Avaliação Educacional (Gepave-USP) – apresentaram suas respectivas visões acerca das políticas públicas educacionais.

Divergências conceituais à parte, ambos partiram de premissa que tem como eixos principais a democratização do acesso e garantia da permanência da criança e adolescente na escola; gestão democrática, por meio da participação direta; e a qualidade social da educação. Nesse contexto, a escola assume a visão histórica de espaço de transmissão de conhecimento.

“Temos a visão de produção do conhecimento e da cultura. A escola não é um mero transmissor”, pontuou o educador Camilo José dos Santos Neto, mediador do debate.

Selma Rocha questionou a divisão estabelecida pelo sistema capitalista, que reserva exclusivamente à universidade o papel da pesquisa. “A escola tem sido progressivamente subtraída do papel de construtora da cultura, que não tem nada a ver com reprodutora da informação”, disse.

No que tange às avaliações, Selma, que é ex-diretora da Fundação Perseu Abramo, aponta que está em voga visão de especialistas pela qual o ensino de Língua Portuguesa e Matemática se sobrepõem às demais disciplinas. “Escuto os órgãos internacionais dizendo isso com propriedade e meus cabelos arrepiam. Parece que para os excluídos a pré-história basta”, afirmou.

Já Ocimar Alavarse discorreu sobre a evolução do conceito de escola, que evoluiu nos últimos 150 anos, aparecendo como reivindicação da classe operária, que queria educar os filhos. No entanto, ele aponta que em alguns países a ocorreu a expansão do ensino atrelada ao projeto hegemônico da classe dominante. O modelo da escola laica e igualitária, por exemplo, só foi estabelecido na Europa cem anos após a Revolução Francesa, frisa. “Não há uma única concepção de escola. São várias. Temos no Brasil uma das escolas mais excludentes do mundo”, argumenta.

Ocimar, que atuou na prefeitura de São Paulo, quando esteve à frente da avaliação externa da rede municipal, se colocou favoravelmente em relação à realização de provas padronizadas. Mas defendeu o aprimoramento e aprofundamento desse tema.

“A questão é: o que fazer com esses testes e seus resultados”, assinalou. “E usar isso para bonificações de trabalhadores, para saber quem é o melhor, quem é o pior. O que querem? Muitos sabem que não há substitutos para esses trabalhadores. As avaliações deveriam estar a serviço de políticas de formação. O que se faz com os dados do Saeb no sentido de alimentar processo de formação de professores? Nada”, avaliou Ocimar.

O deputado Carlos Neder elogiou a qualidade do debate e as questões “instigantes” colocadas na plenária. Neder defendeu a sistematização da discussão sobre educação também como instrumento para a construção de políticas públicas que serão defendidas pelo PT em seus programas de governo. “Temos de trazer o debate que está na academia, na Apeoesp, e aprofundá-lo, elaborando alternativas e projeto que possamos defender. Não entendo a discussão no mandato dissociado da discussão partidária”, disse.

O grupo de militantes da educação que tem o mandato Carlos Neder como referência irá promover outros debates sobre políticas públicas na área. Já estão agendados os dias 16 de junho, 10 de agosto e 19 de outubro, sempre no escritório político de Neder: rua Japurá, 43, sobreloja, região central.

Deixe uma resposta