CARTA ABERTA DE DESPEDIDA A UM ANTI-GESTOR DA SM

Os Institutos de Pesquisa da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SMA), Botânico, Florestal e Geológico terão, ainda na gestão Alckmin, uma oportunidade de se recuperar e se concentrar na realização efetiva de suas missões. Isto a despeito das tíbias percepções da importância da ciência para o desenvolvimento do Estado e do País.

Detentor do pior desempenho de um mandatário à frente da SMA, em mais de 30 anos de sua existência, o advogado Ricardo Salles, após colecionar ações e denúncias de improbidade administrativa e diatribes impudicas, foi defenestrado.

Incapaz de perceber que o Geológico cuida da vida com seus estudos geotécnicos e ações diretas de salvamento, que o Florestal é guardião da Biodiversidade e propicia educação ambiental, conhecimento bioecológico e manejo da natureza, e que o Botânico abriga um tesouro da humanidade em seu herbário e estipula diretrizes conservacionistas, entre muitas outras responsabilidades importantes, o ex-mandatário Salles cometeu uma série de equívocos administrativos, em nome de uma falsa eficiência, que expuseram as unidades de conservação da natureza, com sua fauna e flora ameaçadas de extinção.

De forma autocentrada e truculenta Salles removeu a Fundação Florestal (FF) para as dependências da Cetesb, prejudicando a integração dos trabalhos com o Florestal. Promoveu tentativa de negociação de Unidades do Instituto Florestal, sem projeto e base técnica confiável, sendo esses atos investigados pelo MP por suspeita de favorecimento a empreendedores particulares, em possível prejuízo a Mata Atlântica do Interior e Cerrado, que são os ecossistemas críticos mais ameaçados de São Paulo. Continuou a prática de instalar indicados políticos nos cargos de confiança da FF e SMA.

Sem nenhuma lógica na missão da SMA o senhor Salles colocou o prédio sede do Geológico à venda e adotava ares de interventor, a ponto de atacar o Ministério Público Estadual (MPSP) acusando os Promotores de “demagogia”, o que lhe valeu Nota de Repúdio da Associação Paulista do Ministério Público (APMP).

Para o novo secretário devemos dar créditos a sua administração desejando a ele um grande descortino da questão ambiental, desfazendo os desatinos, desmantelamentos e desmotivações causados pelo antecessor, restabelecendo ênfase na preservação da Biodiversidade e propiciando a recuperação plena da capacidade operacional dos Institutos de Pesquisa. São Paulo, 30 de agosto de 2017.

Joaquim Adelino de Azevedo Filho

Presidente da APqC

 

Na foto, 2ª Marcha Pela Ciência no Brasil, realizada em São Paulo no último sábado (02/09). A manifestação em prol da ciência e da educação no País ocorreu simultaneamente no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Porto Alegre, com o objetivo de pressionar o governo a revogar os cortes no orçamento para Educação e Ciência, Tecnologia e Inovação na votação da Lei Orçamentária Anual de 2018. O movimento parte da iniciativa da campanha Conhecimento Sem Cortes e conta com o apoio da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A entidade reforçou a importância dessas mobilizações diante do grave cenário de cortes e contingenciamentos que a ciência, a tecnologia e a educação no País enfrenta.