O SR. CARLOS NEDER – PT – Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, telespectadores da TV Assembleia, público presente, este pronunciamento é uma saudação ao ingresso dos jovens na militância política. Nós que vimos nossos filhos, os jovens, indo às ruas, e na expectativa de que eles continuarão participando, devemos nos sentir orgulhosos. Tidos frequentemente como alienados e presos a um universo individualista, dos que não estariam preocupados com as questões sociais do País, esses jovens foram aos milhares às ruas, com reivindicações as mais diversas, tratando da necessidade de renovarmos a cultura e os hábitos políticos do nosso País.

Vejam que a questão inicialmente colocada foi a do reajuste de tarifas, tema que ganhou mais relevância quando se sabe que a qualidade dos transportes públicos no País é lamentável, sofrível, indigna. A essa bandeira se associaram várias outras, tratando da corrupção, da irresponsabilidade dos agentes políticos que privilegiam seus próprios interesses ou de grupos. Erram ao não perceber que a população brasileira está no limite da sua paciência, quando consideramos que a qualidade do transporte público é ruim e que a ela se associam outras situações igualmente inaceitáveis, como é o caso das políticas de Saúde, de Educação, dos direitos constitucionais da população sofrida e que vem sendo marginalizada na periferia, uma vez que existem ainda fatores de grande desigualdade social que não vêm sendo combatidos de maneira estrutural em nosso País.

A manifestação de milhares de pessoas nas ruas coloca em xeque, inclusive, a nossa própria geração. Nós, que ajudamos a constituir partidos de esquerda, democráticos, que se propõem a organizar a população das mais diferentes maneiras – inclusive na perspectiva da democratização do aparelho do Estado -, estamos sendo questionados se de fato há alguma efetividade na forma como nos organizamos, especialmente em partidos políticos, sindicatos e outras entidades.

É preciso observar como fato novo a utilização intensiva das redes sociais, da internet e o advento de palavras de ordem como: “Saiam às ruas conosco, nós já não estamos mais presos ao facebook. Vocês nos questionavam dizendo que não saíamos do facebook. Agora estamos nas ruas questionando o que vocês estão fazendo e queremos saber o que está sendo utilizado o dinheiro dos impostos, quais são as prioridades e de que maneira vocês exercerão a liderança deste País a partir de agora.”

Não devemos ver a organização dos jovens como prejudicial à política e à própria atividade que exercemos. Fazer uma contraposição entre a democracia representativa e a democracia participativa, exercida em âmbito institucional e por meio de colegiados de gestão, com a democracia direta, autônoma, independente, voltada à mobilização da sociedade civil a partir dos interesses que tem, seria uma maneira míope de observar o que está ocorrendo. Na verdade, precisamos articular essa força que vem das ruas, as bandeiras novas que cria, a nova cultura política e participativa, bem como as expectativas que estão sendo criadas, como um instrumento a renovação da democracia representativa, dos partidos, das eleições, dos mandatos parlamentares, mas também das diversas maneiras que nós vimos apostando na criação de conferências, conselhos e outros mecanismos para democratizar o Estado e as políticas públicas.

Sr. Presidente, a razão deste pronunciamento também é a de solicitar que a Assembleia Legislativa de São Paulo, a exemplo do que aconteceu em outros estados, não se cale, mas que seja solidária ao movimento. Que não permita o uso da força policial e a agressão a esses jovens. Não permita que essa energia e essa alegria, que vêm das ruas, sejam igualmente sufocadas, porque é delas que vem a esperança de um país melhor.

Muito obrigado.

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