Hélio Doyle
As práticas políticas em vigor, e que têm sido tão questionadas desde as manifestações de junho, é que são consideradas as corretas e eficazes

A revista Época publica uma matéria apontando as dificuldades que o prefeito Fernando Haddad está enfrentando em São Paulo. Haddad, diz a chamada, está “isolado, com popularidade em baixa e às turras com o PT”, o que parece mesmo ser verdade.
Mas o interessante é que Haddad está assim, julgado negativamente, pelos seus méritos, e não por defeitos. O problema é que as práticas políticas em vigor, e que têm sido tão questionadas desde as manifestações de junho, é que são consideradas as corretas e eficazes. E assim permanecem.

É fácil verificar quem está certo e quem está errado, a partir da reportagem:
– Os paulistanos culpam o prefeito pelos engarrafamentos no trânsito, que piorou depois que foram instaladas as faixas exclusivas para ônibus, e essa é uma das razões para a queda de popularidade.

Observação: as faixas exclusivas podem ser ruins para quem anda de carro particular, não para quem anda de ônibus.
– Integrantes do PT reclamam que o secretariado do prefeito e as administrações regionais têm mais técnicos e engenheiros do que indicados pelos parlamentares e pelo partido.

Observação: funções técnicas têm de ser exercidas por técnicos, não por apadrinhados que só querem fazer política. Administrações regionais existem para funcionar, não para serem instrumentos político-partidários.
– O PT não gostou do novo Conselho da Cidade, com funções consultivas e nomes como Paulo Skaf, Arnaldo Antunes e José Celso Martinez Corrêa, pois essa instância aberta à sociedade reduz o papel do partido.

Observação: um conselho consultivo plural e aberto à sociedade é ponto positivo, nunca negativo.
– O prefeito resistiu enquanto pôde a cancelar o reajuste e reduzir os preços das passagens quando houve as manifestações de junho.
Observação: o reajuste estava abaixo da inflação e isso é o que faria qualquer administrador consciente e avesso à demagogia. A concessão feita, como diz a matéria, é uma bomba-relógio que vai explodir nos próximos anos.

– Diferentemente de Serra e Kassab, o prefeito priorizou despachos internos a agendas nas ruas.

Observação: agendas nas ruas são importantes e necessárias quando têm sentido, não para fazer demagogia e criar factoides políticos. Se ficar no gabinete é mais eficaz e eficiente, não há porque ir para a rua para tirar fotografia.

– Haddad tem cintura dura para o conchavo político. Quando se reúne com parlamentares vai direto ao assunto e não faz firulas.

Observação: o conchavo político só tem trazido prejuízos à população e parlamentares têm de se acostumar a não serem bajulados.
Em suma: Haddad, pelo jeito, está tentando ser um bom prefeito sem cair no clientelismo, na demagogia e no velho estilo de fazer política. Mas enfrenta críticas e resistências por causa disso. Méritos são considerados erros e as práticas nocivas são consideradas as corretas.

 

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