O SR. CARLOS NEDER – PT – Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, telespectadores da TV Alesp, trabalhadores da saúde estadual, dirigentes do SindSaúde, no período da manhã, fizemos uma audiência pública proposta pelo presidente estadual do Partido dos Trabalhadores, deputado Edinho Silva, e pelo presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, deputado João Paulo Rillo, para discutir a greve da Unesp.

Essa greve vem atingindo inúmeros municípios; há vários câmpus representados neste movimento de questionamento da política do governo estadual em relação ao Ensino Superior e em contraponto à expansão desmedida que se faz do ensino privado, sem que se garantam qualidade e acesso democrático ao ensino público no estado de São Paulo.

Recentemente, vimos também uma greve prolongada dos profissionais da educação sem que houvesse uma negociação adequada por parte do poder público no que diz respeito ao direito dos educadores, dos trabalhadores de escola e, em última instância, dos cidadãos, que deveriam se beneficiar de um ensino público de qualidade, de responsabilidade do governo do estado.

Sabemos que está em curso uma greve dos trabalhadores estaduais da saúde, que já atinge 42 dias. Há oito dias, representando várias regiões, esses trabalhadores estão acampados na Assembleia Legislativa em condições inadequadas, frequentemente sofrendo assédio. Acendem luzes de madrugada para que eles acordem, teoricamente para fazer a limpeza dos ambientes da Assembleia, ou os ameaçam com o uso de tropa de choque. No fundo, o que se pretende é retirá-los o quanto antes da Casa.

Ocorre que todos esses movimentos grevistas – seja da Unesp, da Educação, da Saúde e o movimento que se avizinha na área da Segurança Pública, outro setor que é uma tragédia na política do governo do estado – têm algo em comum: a figura do governador Geraldo Alckmin e o seu estilo de governo, que não dialoga e não estabelece compromissos e que, quando pressionado pelos trabalhadores e pela sociedade para assumir algum tipo de compromisso, não os honra no prazo combinado.

Penso que deveríamos, diante da magnitude do problema aqui descrito – envolvendo a área do ensino superior, do ensino médio, da atenção à saúde da população, que é um direito em face da previsão legal do Sistema Único de Saúde -, ter uma ação conjunta de todos os partidos políticos para nos contrapormos a essa política truculenta, anti-social e autoritária do governo Geraldo Alckmin. (Palmas.)

As pesquisas mostram que, em que pese a avaliação de seu governo seja ruim, a imagem pública do governador é sempre preservada. Ela mostra uma pessoa tranquila, disposta ao diálogo, que ouve todas as partes e é ponderada nas decisões que toma. Entretanto, se analisarmos a evolução de sua imagem na opinião pública ao longo desses mandatos todos, perceberemos que, progressivamente, a população nota que os erros atribuídos ao governo também são de responsabilidade do governador Geraldo Alckmin. Ele é intransigente, não dialoga e, frequentemente, criminaliza a existência e a atuação dos sindicatos, das centrais sindicais e dos trabalhadores em aliança com a população.

Por isso, se olharmos a distribuição por bancada e partidos dos parlamentares na Assembleia Legislativa, veremos que, com freqüência, há um discurso demagógico e que não corresponde a uma atitude prática de solidariedade efetiva ao movimento. (Palmas.)

Por outro lado, acredito ser um equívoco o movimento achar que uma única central sindical e que alguns poucos parlamentares podem se contrapor a uma atitude claramente ideológica e que deriva de uma concepção do Estado: reprimir o movimento, não dialogar, não ceder e não avançar em direção às necessárias transformações reivindicadas pelos trabalhadores.

Nesse sentido, defendo que o SindSaúde e a Central Única dos Trabalhadores dialoguem com todos os partidos; que cobrem da Assembleia Legislativa uma atitude prática de todos os partidos e bancadas parlamentares – não se restringindo a dois ou três parlamentares – de tal maneira que essa greve não se encerre, por exemplo, na próxima sexta-feira, dizendo a todos os trabalhadores e àqueles que acreditam no Sistema Único de Saúde que, indistintamente, os parlamentares não tiveram sensibilidade para as suas reivindicações.

Não é isso o que acontece. O que falta é uma ação articulada que envolva todas as centrais sindicais e a Central de Movimentos Populares. É preciso uma ação que cobre participação da sociedade civil e que se transforme e se manifeste de forma objetiva numa abertura de negociação. Mesmo que não se resolva em um prazo curto, como desejado – em termos de recuperação de perdas salariais, de recuperação do valor do vale-refeição, do combate ao assédio moral, da garantia da participação dos trabalhadores e da democratização do Fundes -, que tenhamos um calendário que seja, efetivamente, assumido como compromisso e respeitado pelo governador Geraldo Alckmin. Que haja uma mudança de atitude das bancadas de sustentação do governador na Assembleia Legislativa, coisa que não aconteceu até o momento.

Sr. Presidente, solicito que cópia desse pronunciamento seja encaminhada ao governador Geraldo Alckmin e ao secretário de Estado da Saúde, Dr. Giovanni Cerri.

Muito obrigado.

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