Possível transferência para o prédio da Secretaria do Meio Ambiente é parte do processo de desmonte dos Institutos de Pesquisa promovido pelo governo do Estado que, mais uma vez, não consultou a comunidade científica e não deixa claro destino de acervos e de pesquisadores

Pesquisadores realizam abraço simbólico no prédio principal do Instituto Florestal como repúdio ao pedido de desocupação do prédio pelo governo do Estado

Pesquisadores realizam abraço simbólico no prédio principal do Instituto Florestal como repúdio ao pedido de desocupação do prédio pelo governo do Estado

Não é de hoje que o Governo do Estado de São Paulo vem determinando a transferência de equipes e de coleções inteiras de pesquisa com o argumento de otimizar os prédios e propriedades do Estado de São Paulo. Após transferir parte das pesquisas realizadas pelo IAC para o Instituto Biológico e de colocar a PL 328/16 em regime de urgência na pauta da Alesp, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), por meio de uma determinação expedida pelo secretário de Meio Ambiente, Ricardo de Aquino Salles, pediu aos órgãos responsáveis pela gestão das unidades de conservação e pesquisa do Instituto Florestal e da Fundação Florestal, nesta segunda-feira (26), que desocupem suas sedes.

De acordo com o presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos dos Estado de São Paulo (APqC), Joaquim Adelino Azevedo Filho, esta determinação do governo coloca em risco o patrimônio ambiental e cultural do estado e fragiliza todo o sistema ambiental construído arduamente há mais de um século. “Este processo não é transparente, os motivos não estão claros, não houve participação das direções destes institutos e fundação, nem da comunidade científica. Também não é informada a destinação que se pretende dar a estes imóveis públicos, instalados no interior do Parque Estadual, sendo alguns destes tombados. A preocupação é grande por parte do nosso corpo técnico e comunidade de entorno quanto a mais um possível desmonte com a venda destes imóveis”, explica Adelino.

O Instituto Florestal está sediado no Parque Estadual Alberto Lofgren (Horto Florestal), há cerca de 120 anos, desde sua origem quando essa área foi desapropriada e adquirida para esta finalidade. O IF possui em suas instalações setor administrativo para apoio a gestão das unidades do interior e da própria sede, dentre outras instalações se destacam: Herbário Dom Bento Pickel com cerca de 50.000 exemplares; Xiloteca; Laboratório de Madeira; Inventário Florestal do estado de São Paulo; Arboretos; Biblioteca; Refeitório; Hospedaria destinada a técnicos em trânsito; Museu Florestal Otavio Vechi (único da América Latina especializado em madeira); Sub Frota de Veículos.

Criada em 1986 com a finalidade de dar suporte às ações do Instituto Florestal, a Fundação Florestal também administra unidades de conservação, e está sediada no Parque Estadual Alberto Lofgren (Horto Florestal), desde a década de noventa.

As duas instituições juntas administram cerca de 14% do território continental do estado (3.500.000 ha), além das áreas de proteção ambiental marinhas, consubstanciados em unidades de conservação de proteção integral e uso sustentável, estações experimentais, viveiros e outras áreas especialmente protegidas. Contam com corpo técnico de cerca de 1.317 funcionários.

O Museu Florestal Otavio Vechi é o único da América Latina especializado em madeira

O Museu Florestal Otavio Vechi é o único da América Latina especializado em madeira

Ainda de acordo com o presidente da APqC, a alocação das áreas técnicas e administrativas em um único lugar permite o funcionamento institucional já que possui arquivos e acervos do Museu Florestal, que não podem ser destruídos ou danificados e que, devido ao volume, são de difícil realocação. Todos os setores do IF ficarão comprometidos com esta realocação. Não é algo simples deslocar acervos antigos, documentos, equipamentos históricos e laboratórios inteiros, além, é claro, das equipes de pesquisadores e de apoio à pesquisa. Muita coisa se perde nesse processo. São investimentos do próprio Estado de mais de um século”, argumenta Adelino. “O Parque do Horto Florestal dispõe de estrutura adequada para atendimento do corpo funcional. Esta mudança pode ser muito desastrosa para a pesquisa. E não sabemos ainda o motivo deste pedido de desocupação. O Governo dita as regras e não somos ao menos consultados”, finaliza o presidente da APqC.

Informações Assessoria de Imprensa APqC
Fotos: Instituto Florestal

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