O SR. CARLOS NEDER – PT – Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, telespectadores da TV Assembleia, em audiência que mantive com o prefeito da Estância Turística de Barra Bonita, senhor Glauber Guilherme Belarmino, fui alertado por ele e seus secretários de que inúmeras mortes vêm ocorrendo na SP-255, também conhecida na região como “Rodovia da Morte”.

Sua Excelência, o prefeito, relatou inclusive a morte de dois policiais rodoviários federais na rodovia quando socorriam outras pessoas acidentadas no local. Por essa razão, de comum acordo com o prefeito de Barra Bonita, com o prefeito de Igaraçu do Tietê e de cidades vizinhas, estou apresentando a proposta para constituirmos uma Frente Parlamentar pela Duplicação da SP-255.

Peço o apoio de todos os líderes e bancadas para que tenhamos as assinaturas necessárias correspondentes à necessária participação dos partidos e deputados exigida no Regimento Interno desta Assembleia.
Passo a ler um ofício que me foi encaminhado em 13 de maio de 2013 pelo prefeito Glauber Guilherme Belarmino, da Estância Turística de Barra Bonita.

“Ofício Nº GP. 405/2013.
Barra Bonita, 13 de maio de 2013.
Excelentíssimo Senhor Deputado:
Vimos mui respeitosamente, em nome de toda população de Barra Bonita e Região, solicitar os bons préstimos de Vossa Excelência no sentido de interceder junto ao Governador do Estado para a duplicação da Rodovia SP-255, conhecida em nossa região como a “Rodovia da Morte”.

Segue abaixo uma breve reflexão sobre a SP-255:

“SP-255, A Rodovia dos Imprudentes.
Paula Massari, 32 anos. Rosivaldo de Freitas, 29 anos de idade. Cosme Soares, 34 anos. Em comum, a Rodovia SP-255.
Na SP-255, eles perderam suas vidas. Na SP-255, ganharam novos nome e sobrenome: Vítimas Fatais.
Na SP-255, deixaram de ser cidadãos para virar estatística. Paula, Rosivaldo e Cosme. Os números mais recentes que se somam a outros milhares.

Mas por trás desses números, existem histórias reais. Histórias de luto que não entram para os registros oficiais.
Na política, o “se” não vale muita coisa. Na vida real, fora dos gabinetes, o “se” pode incomodar uma família pra sempre. Paula, por exemplo, era ocupante de um carro e, quando passava pelo trevo de Barra Bonita, o veículo em que ela estava foi atingido por um caminhão sem freio.

E “se” a estrada fosse duplicada? Com canteiros centrais dividindo as pistas, com proteções, será que o caminhão a atingiria? E “se” fosse duplicada? Nos relatos numéricos, formais, não existe espaço para essas respostas. Mas nos almoços e encontros de muitas famílias, daqui pra frente, a pergunta será a mesma: “E se fosse duplicada?”
Até peço desculpas se esse texto já estiver desatualizado. E a chance é grande. Afinal, a SP-255 é a “Rodovia da Morte”. Proporcionalmente, mata mais que muitos conflitos armados pelo mundo afora.

Há muito tempo a região apela para que o governo do estado aja e mude essa situação. A duplicação é um pedido recorrente, mas sempre esbarra no “não’. O argumento: a imprudência dos motoristas não justifica uma duplicação.
Porém, para analisar a SP-255, é preciso ir além da comodidade de quem voa para cumprir seus compromissos. De quem se desloca pelo céu. Para analisar essa estrada é preciso pousar e trafegar por essa realidade.

Aqui embaixo também existe a corrida contra o tempo e ela é tão grande (ou maior) que as nossas, de gestores públicos, para cumprirmos nossas atribuladas agendas.

Aqui embaixo também existem compromissos inadiáveis, atrasos e uma velocidade, muitas vezes, exagerada para dar conta de tudo e garantir o sustento da família, para garantir a venda, para garantir a entrega de um produto, para não faltar ao encontro ou, simplesmente, para fazer uma refeição no conforto de nossa casa.
Culpar apenas o motorista e sua imprudência é tão frio e inerte quanto o asfalto que cobre a Rodovia SP-255 de Ribeirão Preto até a divisa com o Paraná.

Quem circula por esse caminho que se tornou estreito ao longo das décadas, sabe o que é transitar em meio a pesados caminhões, aliás, treminhões abarrotados de cana de açúcar. E quando à sua frente faltam faixas para fugir do “aperto”, e isso é cada vez mais comum, só nos resta rezar ou ter um bom plano funerário.
Investir na duplicação da SP-255, não é apenas ampliar a segurança para quem vai e vem. É também estimular as economias dos municípios ao longo do caminho. É fortalecer esse importante corredor de escoamento do que é produzido de norte a sul do nosso estado.

Ressalto, não estamos falando aqui de uma simples estrada vicinal. Estamos falando da SP-255, a “Rodovia da Morte”, ou pra quem sai ileso de uma viagem de poucos quilômetros, diariamente, a “Rodovia da Sorte”.
Rogo aos senhores, que possamos agir, portanto, com prudência. Que dupliquemos a SP-255 e que volte a ser, simplesmente, uma rodovia.

Caso contrário, a SP-255 continuará sendo a “Rodovia dos Imprudentes”. Daqueles que têm a imprudência com as mãos no volante. E daqueles imprudentes que têm a caneta na mão e não fazem nada para mudar essa realidade. ”
Sendo o que havia para o momento e na certeza de contar com o apoio, compreensão e sensibilidade de Vossa Excelência para o atendimento desta importante reivindicação para nossa região, apresentamos os nossos protestos de estima e consideração.

Glauber Guilherme Belarmino
Prefeito Municipal
Ao Excelentíssimo Senhor Deputado Estadual Carlos Neder
Assembleia Legislativa
Av. Pedro Álvares Cabral, 201- Sala: 2109/ 2º andar
CEP: 04097-900- São Paulo- SP”
Sr. Presidente, com base nesse documento do prefeito da Estância Turística de Barra Bonita – de forte teor emocional e que expressa a realidade daquela região – solicito a criação da Frente Parlamentar pela Duplicação da SP-255, conforme requerimento anexo e que segue para coleta de assinaturas.

Peço ainda que cópia desse pronunciamento seja encaminhada ao governador Geraldo Alckmin, bem como ao referido prefeito da Estância Turística de Barra Bonita.

Muito obrigado.

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