por Eduardo Maretti, da RBA
 
 
Ideia é promover unificação da esquerda e, com debates e mobilização, inclusive de rua, construir estratégias para mudar realidade política de um estado governado pelo PSDB há duas décadas
 
 
CUT/SP – DIVULGAÇÃO

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Quadra dos Bancários, no centro da capital, recebe participantes do Fórum dos Movimentos Sociais de São Paulo

São Paulo – “São Paulo é o quartel-general da direita no Brasil.” Com essa frase, o  coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP), Raimundo Bonfim, resumiu o espírito de movimentos, centrais e lideranças presentes no lançamento do Fórum dos Movimentos Sociais do Estado de São Paulo, na quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, na noite de ontem (13).

CUT, Central de Movimentos Populares (CMP), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Levante Popular da Juventude, MST, Coletivo Luta pela Água, entre dezenas de entidades, e lideranças como Alexandre Padilha (secretário de Relações Governamentais da Prefeitura de São Paulo) e Artur Henrique (secretário municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo), além de vários deputados, estiveram presentes.

A ideia do fórum é promover a unificação da esquerda e movimentos progressistas em São Paulo e, com debates e mobilização, inclusive nas ruas, construir estratégias para mudar a realidade política de um estado governado pelo PSDB há duas décadas. A vice-prefeita de São Paulo, Nádia Campeão (PCdoB), deu o tom: “O desafio é: como vamos mostrar ao povo a tibieza do governo de São Paulo, há 20 anos com o PSDB?”, disse, em seu discurso. O prefeito Fernando Haddad não compareceu.

Segundo Nádia, os governos tucanos têm “características inexplicáveis e esquizofrênicas”. Ela chamou a atenção para as obras que, como as do metrô, estouram prazos indefinidamente sem que haja cobrança da imprensa e da sociedade como um todo. “Em termos de obras, inexiste cronograma. Quem sabe quando começa e quando terminam as obras do metrô? Cronograma de grandes obras em São Paulo é uma ficção”, declarou, citando o monotrilho. “Como se explica que um governo com esse perfil governa há tanto tempo?”

Os governos tucanos mantêm a hegemonia no estado desde 1995, quando teve início o governo de Mário Covas, que sucedeu Luiz Antônio Fleury Filho, do PMDB.

Para a vice-prefeita paulistana, a mídia oculta as crises, que, segundo ela, estão presentes em todos os setores da gestão: “O que é responsabilidade do governo, em educação, saúde, segurança pública, saneamento, água, tudo vive crises aprofundadas e crescentes”. Em sua opinião, “a principal arma é o conluio que eles (governos tucanos) têm com a mídia.”

Antes do início do ato, a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira, disse à RBA que a ideia do fórum é articular as forças progressistas de São Paulo. “Era preciso um fórum que pensasse os problemas do estado, com ações, defesa de projetos. A intenção do fórum é que ele seja permanente. Ele surge como projeto para pensar São Paulo a longo prazo.”

Segundo o analista político Paulo Vannuchi, o próximo “passo articulado” do fórum será o dia 29, quando ocorre o Dia Nacional de Mobilização de Paralisação das centrais sindicais. Vannuchi disse que as próximas manifestações dos movimentos progressistas devem focar a agenda do estado de São Paulo: segurança pública, “o extermínio da juventude negra na periferia de São Paulo”, o não à redução da maioridade penal, saúde, educação e “o tema do ataque paranaense, paulista e tucano, pela educação”.

A presidente da Apeoesp (sindicato dos professores da rede pública estadual), Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel, disse que o fórum “vai se constituir numa trincheira de resistência no estado de São Paulo para enfrentar o governador Geraldo Alckmin e o seu partido”. Os professores deflagraram a greve no dia 13 de março. Bebel lembrou que o Tribunal de Justiça decidiu que o governador tucano não pode descontar os dias parados durante a greve da rede estadual.

“O governador tem usado todas as formas de dizer que a greve não é legítima, mas quem legitima a greve não é o patrão, são os trabalhadores”, declarou. Ela lembrou que Alckmin justificou a tentativa de cobrar os dias parados dos professores por não poder prevaricar, como governador. “Só que ele prevaricou quando, no dia 15 de março, abriu as catracas para a turma dele se mobilizar.”

Naquela data, a administração do Metrô, do governo de São Paulo, liberou as catracas da estação Trianon-Masp, da linha 2 – Verde, durante protesto contra o governo Dilma Rousseff na Avenida Paulista.

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