“Sempre haverá fascistas e imbecis para negar o óbvio. O Brasil teve sim uma ditadura militar, sangrenta, que prendeu, torturou, exilou e matou brasileiros e estrangeiros. Sr. Mirosmar. Estude antes de falar besteiras. Sou filha de preso político, preso e cassado pela ditadura. Sou neta de Coronel do Exército e sobrinha de Major e Capitão do Exército. Meu bisavô e seu irmão lutaram na Guerra do Paraguai e receberam, entre outras, o Ordem da Rosa. Não ouvi dizer o que foi a História do Brasil. Vivi, sofri, estudei e me indignei com a História do Brasil, senhor Mirosmar, conhecido como Zezé Di Camargo. Dedique-se à sua música, melhore-a, se possível, e deixe a Historia, o Direito, a Ciência Política e a Sociologia para quem é do ramo. Não me meto em suas músicas, respeite os meus campos profissionais.”

Suely Pletz Neder
Advogada e socióloga

 

A carta aberta da advogada e socióloga Suely Pletz Neder rechaça a declaração de Mirosmar José de Camargo, que, em entrevista em um programa no Youtube, afirmou que o Brasil não viveu uma ditadura militar entre 1964 e 1985. “Nós não vivíamos numa ditadura, nós vivíamos num militarismo vigiado”, disse. O artista chegou a dizer que durante o período, em que torturas e mortes foram registradas, aquela fase da história do país “não chegou a ser tão sangrenta, tão violenta”.