(*) Carlos Neder

  No momento em que a sociedade pede qualidade dos serviços públicos, um assunto de grande importância e que tem ainda passado despercebido é a situação em que se encontram os 19 institutos de pesquisa e as 17 fundações públicas do Estado de São Paulo. 

Essas entidades, que estão espalhadas por diversos municípios e desempenham funções estratégicas, têm enfretado um quadro de descaso por parte do governo Alckmin. Ao contrário do tão propalado marketing de que as administrações do PSDB são modelo de gestão, os institutos e fundações públicas passam por sérias dificuldades para se manterem. 

O tema já foi retratado recentemente pela própria imprensa, que constatou a falta de recursos e funcionários, inclusive de profissionais de apoio. Isso tem feito, por exemplo, que pesquisadores deixem de lado suas atividades para cuidar da faxina nesses locais.  

O pior de tudo são as dificuldades para manter vivo o patrimônio científico e intelectual, fruto de longas jornadas de trabalho. Estamos falando, nesse caso, de estudos relevantes e de referência promovidos por instituições como Adolfo Lutz, Butantã, Dante Pazzanese, Pasteur, Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal (Cepam), Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap). 

Sabemos que investir em educação, formação profissional e novos conhecimentos representa o caminho para o desenvolvimento. Porém, esse não é o foco da gestão Alckmin, que caminha na contramão. Perdem com isso os institutos de pesquisa, as fundações públicas, o Estado de São Paulo e seus habitantes, que veem o mau emprego do dinheiro público ou mesmo a falta de investimentos adequados para manter um trabalho casa vez mais essencial. 

É preciso discutir o fortalecimento e um novo papel dos institutos de pesquisa e das fundações públicas. Isso passa por um debate sobre o modelo de Estado que queremos – que precisa ser bem diferente do absurdo processo de privatização da gestão e dos fundos públicos que temos visto ao longo dos últimos 20 anos, em que o PSDB comanda a vida dos paulistas. 

Mesa de abertura do lançamento da Frente Parlamentar em defesa dos Institutos de Pesquisa e Fundações estaduais.

Enquanto o governo Alckmin expande a estratégia da entrega das políticas publicas para gestão de organizações sociais, na Assembleia Legislativa acabamos de instalar a Frente Parlamentar em Defesa dos Institutos Públicos de Pesquisa e das Fundações Públicas do Estado de São Paulo. 

O lançamento dessa iniciativa contou com a presença dos principais representantes das entidades e de dirigentes sindicais. A Frente, cuja criação teve adesão de 25 deputados de diferentes partidos políticos, irá fazer um amplo levantamento de como anda a situação de todas as fundações e institutos de pesquisa públicos.

Esse diagnóstico servirá para auxiliar a encontrar alternativas efetivas que possibilitem o aproveitamento dessas instituições, fazendo com que seus trabalhadores sejam respeitados e que pesquisas importantes, bem como o patrimônio cultural, não sejam abandonadas, como vêm ocorrendo e, principalmente, com o firme propósito de administrar melhor os recursos investidos na área para um novo ciclo de desenvolvimento em São Paulo. 

(*) O autor é deputado estadual (PT). Contatos: http://www.carlosneder.com.br/ / (11) 3105-5632.

 

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