“Muito se falou em voto útil, mas foi a direita que conseguiu concretizá-lo, com a migração de votos de Marta Suplicy e Celso Russomano para Doria”, diz coordenador do movimento

Por Rede Brasil Atual
Na avaliação do movimento, Lava Jato e mídia enfraqueceram partidos de esquerda

Na avaliação do movimento, Lava Jato e mídia enfraqueceram partidos de esquerda

A partir do cenário político forjado nas eleições de ontem (2), marcado por ascensão conservadora nas prefeituras do país, a esquerda deve retomar suas “atividades clássicas” e se voltar para o trabalho de base e para ampliar a inserção nas periferias, como defende o movimento social Levante Popular da Juventude.

“As organizações devem montar uma intensa agenda que retome atividades clássicas que são o trabalho de base, o diálogo com as pessoas e a inserção das periferias. Em São Paulo, Fernando Haddad não conseguiu vencer em nenhum bairro, nem nas periferias, onde estavam os votos do PT. Isso ocorreu porque a esquerda se desconectou do trabalho com o povo. É preciso agir, ir para as ruas, retomar o trabalho sabendo da posição que a esquerda está, de derrotada. É preciso levantar a cabeça e ir para o trabalho”, diz o membro da coordenação nacional do Levante Thiago Pará.

O movimento defende ainda que, além da retomada do trabalho de base, a esquerda precisa fazer autocrítica. “Não conseguimos enxergar essa movimentação que os partidos de direita vêm construindo e não conseguimos preparar uma retaguarda estratégica. Precisamos iniciar um processo de autocritica mais preocupado em encontrar os erros do processo do que em pôr a culpa em possíveis responsáveis”, afirmaThiago.

Entre os fatores que teriam levado ao que o Thiago chamou de “ofensiva avassaladora da direita”, está uma campanha fortalecida pela mídia de “combate à política”, o que levou a elevados índices de abstenções e votos brancos e nulos. “É um linchamento político que vem acontecendo há algum tempo pela mídia, setores do Judiciário e outros. A Lava Jato teve o objetivo claro de desgastar as candidaturas de esquerda e do PT. Isso se refletiu no alto índice de abstenções e nos resultados. O PSDB é o velho partido, com uma velha prática travestida de nova”, avalia o militante. “A esquerda falou muito em voto útil, mas foi a direita que conseguiu concretizá-lo, com a migração de votos de Marta Suplicy e Celso Russomanno para Doria, já que os três estão sintonizados com o sentimento antipetista em São Paulo.”

Já no Rio de Janeiro, na avaliação do movimento, houve uma disputa mais equilibrada entre os candidatos conservadores, o que permitiu a Marcelo Freixo (Psol) ir para segundo turno. Lá, o voto útil (dos simpatizantes de Jandira Feghali, do PCdoB em Freixo) favoreceu a esquerda.

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