Tomei conhecimento do lamentável fato ocorrido em Taubaté por relato da presidenta do Diretório Municipal da cidade, companheira Júlia​ ​Martin, e depois, com mais detalhes, por meio da Carta​ de Taubaté, ​dirigida aos membros da Direção Estadual do PT.

Em essência, diante da lamentável exclusão da companheira Júlia de importante reunião para planejar a atuação partidária no Vale do Paraíba, nas lutas sociais e nas eleições de 2018, o documento traz importantes questionamentos referentes à conduta política do PT Paulista.

Afinal, precisamos saber se foi um deslize a exclusão de uma companheira recém-eleita para tão importante cargo na região ou uma prática que veio para ficar, que em nada contribuiria para a unidade partidária e o fortalecimento do PT no estado, qual seja, a de excluir deliberadamente de reuniões importantes setores do partido que podem ter opiniões diferentes sobre nossa atuação na conjuntura, prioridades de candidaturas majoritárias e proporcionais.

Para que não pairem dúvidas a respeito, necessário que haja resposta oficial das instâncias sobre o ocorrido e desagravo à presidente e demais membros que compõem o Diretório Municipal da Taubaté, uma vez que foram desrespeitados em sua militância, orientada pelas diretrizes programáticas do PT, entre elas o do respeito à pluralidade de opiniões, à igualdade de gênero, à participação dos jovens e à defesa intransigente do processo democrático e transparente de tomada de decisões partidárias.

Carlos Neder
Deputado Estadual – PT

 

Leia a carta que foi encaminhada ao presidente do Diretório Estadual, Luiz Marinho, e toda a direção, e ao coordenador da Macro Região do Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira do Partido dos Trabalhadores, Jecé Bento, e a toda direção da Macro a Macro Região do Vale do Paraíba.

 

Carta de Taubaté

O Diretório Municipal do PT de Taubaté, conforme deliberação aprovada em reunião ordinária da instância no dia 26 de agosto de 2017, oficializa por meio desta carta importantes questionamentos referentes à conduta política da direção estadual do PT Paulista.

A atual direção de Taubaté, formada por 34 membros, foi eleita em 2017 após uma construção de unidade partidária e compromisso amplo de reaproximação com os jovens e mulheres, entre outras ações. Elegemos a primeira presidenta mulher do PT Taubaté/SP, uma das mais jovens presidentas de DM do país, a companheira Júlia Martin. Desde o início, sabíamos do desafio que seria dirigir o PT da cidade em meio à conjuntura política mais conturbada da história e da maior crise interna que o PT já viveu.

Assumimos a direção municipal há menos de 3 meses e a atuação do PT vai se transformando na cidade. Foram mais de 10 atos contra as ações golpistas do governo Temer, participação ativa nas ações dos movimentos sociais como ocupações feitas pelo MST, reaproximação com o movimento estudantil e coletivos populares, atividades de formação, engajamento em atividades regionais, atualização cadastral de filiados, etc. Ações coletivas de uma militância que se dispôs a esta luta.

No entanto, na última quinta-feira (24 de agosto), nos sentimos desrespeitados enquanto instância municipal. Em agenda oficial organizada pela Macro Região do Vale do Paraíba, o presidente estadual do PT, Luiz Marinho, esteve pela primeira vez em Taubaté depois de assumir o cargo. Foram convocados para uma reunião estratégica sobre eleições 2018 importantes lideranças partidárias da região, como, por exemplo, ex-prefeitos, vereadores, presidentes de diferentes DMs da região, entre outros. A pauta tinha como proposta mapear as possíveis candidaturas regionais.

No entanto, a presidenta do DM que sediou tal atividade não foi sequer comunicada ou convidada, assim como a própria direção do partido na cidade, para esta construção política de extrema importância municipal e regional. “Soube da reunião por um companheiro que achou estranha a minha ausência. Disse-lhe que eu não havia sido convidada. Liguei para o presidente Luiz Marinho para entender o ocorrido. Obviamente ele se desculpou pelo que seria uma “falha de comunicação” e ficou de “puxar a orelha” do coordenador da Macro, Jecé Bento, responsável pela organização da agenda.”, relatou a presidenta do DM.

Mesmo com a justificativa não oficial até o momento apresentada, alguns questionamentos ainda estão sem respostas:

1) O Presidente Estadual do PT não notou que não tinha presidente do DM local na reunião? Notou, mas achou natural?

2) Com apenas uma exceção, os demais companheiros e companheiras presentes, que militam diariamente conosco, não perceberam a ausência da presidenta na reunião? Ou perceberam, mas a opinião de uma mulher jovem, que não tem cargo eleitoral e pode ter opiniões diferentes sobre candidaturas majoritárias, não é importante na construção da nossa estratégia para as eleições do próximo ano?

3) Será que, futuramente, nosso DM será informado dos encaminhamentos para participar do debate e não apenas para cumprir tarefas? Para que servem a juventude do PT e as mulheres? Não somos importantes nos processos decisórios?

4) O vice-presidente do DM de Taubaté foi convidado enquanto liderança individual, o ex-presidente também. Eles bastam para opinar pela cidade, dispensando a participação formal da direção?

5) O presidente estadual disse que a ideia era reunir pré-candidatos.  Será que a lista de candidaturas já está definida, excluindo jovens, mulheres e/ou pessoas de outros campos internos? Qual foi esse critério que não levou em consideração sequer a opinião de uma dirigente, que dirá o direito partidário de opinar de outras pessoas da região?

6) A exclusão da participação da companheira Júlia Martin desta atividade seria uma conduta sectária, limitando os processos estratégicos apenas aos atores políticos que fizerem parte de campos políticos internos específicos?

Não raramente, escutamos no partido militantes que  lamentam  o distanciamento da juventude. Muitas pessoas, especialmente mulheres, se afastam do partido. Quando será que vamos admitir que são situações como esta que  causam este distanciamento? Nesse caso dois fatores se somam: primeiro, ser tratada em desigualdade, desconsiderada como parte do processo; segundo, precisar explicar que não há “falha de comunicação” que justifique a escolha de uma conduta em que mulheres e jovens têm menor importância política. Esse é o pano de fundo corriqueiro. Queremos uma construção partidária igualitária e que esteja de fato preocupada com a representatividade.

Ao fim deste texto, outros dirão que não é o momento para acirrar críticas internas. Já ciente disso, antecipamos nossa resposta: o PT que construímos respeita as instâncias municipais, respeita o protagonismo das mulheres e da juventude. O PT tem postura firme contra o machismo, não prioriza projetos individuais aos coletivos. O PT é de luta e tem respeito entre companheiras e companheiros.

Enquanto alguns insistem em desviar estes valores internos, a resistência permanecerá.

Seguiremos atuantes com uma direção que valoriza a participação de mulheres e jovens nos protagonismos políticos, sobretudo construindo com a diversidade partidária que é justamente o reflexo da pluralidade de pensamentos que temos no partido. Por diversas vezes já recebemos lideranças de diferentes correntes, tendências e agrupamentos internos, por entendermos que a luta se faz com a contribuição legítima de todas e todos, sem espaço para sectarismo.

Seguiremos defendendo o PT, aquele que entende a luta de classes e não aceita os vícios de um sistema político construído pelo capital e contra a classe trabalhadora! Seguiremos defendendo a atuação da mulher e da juventude na política, com respeito à militância e suas posições políticas mesmo que remando contra a maré, não estamos sós neste barco! Espero que aprendamos algo com esse lamentável acontecimento.

 

Saudações petistas

Júlia Martin – Presidenta do DM Taubaté

Olga Camilo – Secretária Geral do DM Taubaté

Diretório Municipal do PT Taubaté