Com muitas críticas e cobranças, o secretário estadual da Educação de São Paulo, Herman Jacobus Cornelis Voorwald, prestou contas da sua gestão, ontem (17), à Comissão de Educação e Cultura da Alesp, presidida pelo deputado Carlos Neder. A audiência pública realizada no Auditório Franco Montoro contou com a presença e a participação de membros da comissão de educação, entidades de classe, professores e estudantes do ensino médio estadual.

Não faltaram menções à incapacidade de ação do secretário sobre a manutenção das escolas de lata, chamadas de ‘padrão’ Nakamura pelo governo do Estado. Hermann também ouviu do público duras críticas quanto à política salarial e plano de carreira impostos aos professores, ao modelo de ensino estadual da progressão continuada, além do excessivo número de alunos em salas de aula nas escolas do Estado.

Diferentemente de encontros anteriores, a prestação de contas do secretário pelos quatro anos à frente da pasta começou com questionamentos de sua gestão, ao invés da tradicional exposição dos ‘resultados positivos’ da secretaria, que ficou para o final do encontro.

Parlamentares, entidades de classe, professores e estudantes se revezaram para levar suas insatisfações pelas inciativas (ou falta delas) do secretário na condução das políticas educacionais, que segundo eles, têm agravado a educação em São Paulo.

Exemplos como os da cidade de Ribeirão Preto, citados pelo deputado Baleia Rossi e Rafael Silva, onde o número de salas do ensino estadual está sendo reduzido, apesar do aumento da demanda de estudantes e da precarização do trabalho dos professores, com a nomeação dos professores “adidos”.

Por sua vez, o deputado Carlos Gianazzi cobrou do secretário a reforma, entre outras, da Escola Estadual João da Silva, no Grajaú, um dos exemplos de escola de lata, onde os alunos estudam “amontoados, sem conforto térmico e acústico”, afirmou o deputado. Para Gianazzi, na realidade, o projeto de recuperação das escolas de lata do governo estadual “não passa de maquiagem” que tem mantido internamente a precariedade física dos estabelecimentos de ensino, afirmou.

O secretário da Educação Hermann, que chegou a ameaçar o abandono da audiência pública, afirmou que tem limitações legais quanto aos projetos de melhoria das escolas de latas. Tais dificuldades, segundo ele, são impostas pelo Ministério Público (MP), que não permite destinação de recursos a obras já concluídas. A esse respeito, pediu ajuda dos parlamentares para mudar tal realidade. Quanto ao modelo de ensino da progressão continuada, implantado no Estado, o secretário reafirmou que é um dos seus defensores.

Outra polêmica criada por Hermann foi a sua contestação de que a quantidade de alunos por sala estaria prejudicando a qualidade do aprendizado nas escolas. Para ele, segundo sua experiência como professor (universitário), um número mais elevado de alunos em sala de aula não comprometeria o aprendizado dos estudantes. Bastante hostilizado pelos professores por essa opinião, no entanto, chegou a negar no final que defenda a superpopulação das salas de aula.

 

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