Segundo Neder, “infelizmente, em geral, o resultado eleitoral não foi bom para o PT em São Paulo. Isso decorre de uma onda conservadora e anti-PT, aliada a uma dificuldade de estabelecermos alianças prioritárias com setores populares e de esquerda. Falhas de comunicação e dificuldade para fazer autocrítica de erros cometidos só fizeram agravar esse quadro desfavorável. Perdemos significativos espaços institucionais para a afirmação do nosso projeto político, nos executivos e nos legislativos. O desafio agora é retomar nossa relação prioritária com o povo e os movimentos sociais, dentro de um forte movimento de renovação do PT e de suas direções”.

Para aprofundar essa discussão, seguindo orientação do Conselho Político e do Grupo Executivo do Mandato, daremos sequência às reuniões abertas que vimos promovendo com a participação de lideranças do PT e de outras que se situam no campo da esquerda, observando a seguinte proposta de roteiro de temas e cronograma:

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1. Identificar inicialmente lideranças, mandatos e agrupamentos do PT com as quais queremos dialogar. Promover essas conversas em outubro e novembro.

Objetivo: ver se há concordância com relação aos pontos principais da avaliação que fazemos quanto à situação atual do PT, ao desempenho de suas direções e nossa participação no recente processo eleitoral.

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2. Discutir como será nossa oposição ao governo Temer e aos que lhe apoiam em âmbito estadual e municipal. Apresentar proposta de eventos com essa finalidade, divulgando-os amplamente.

Objetivo: promover debates visando orientar nossa oposição de massa e qualificada às diretrizes definidoras da visão de Estado, das políticas públicas e do estilo de gestão – privatizante e autoritária – que deve imperar nos governos e parlamentos cujas maiorias são constituídas por partidos e lideranças que dão sustentação ao governo ilegítimo de Temer, derivado do golpe institucional.

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3. Intensificar o debate no primeiro semestre de 2017 sobre o futuro do PT e as opções de esquerda no país. Discutir o sentido de continuar atuando na vida pública e exercendo cargos eletivos. Novas modalidades de participação política na sociedade.

Objetivo: debate amplo, que não deve se restringir aos filiados ao PT, sobre possibilidades e experiências de atuação conjunta no campo da esquerda, com vistas a renovar a prática política, criar laços de solidariedade e de companheirismo para a construção de programas comuns que deem base à formação de amplas frentes de esquerda, democráticas e populares.

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4. Ainda no primeiro semestre de 2017, participar do movimento pela reforma política e renovação das direções e práticas do PT.

Objetivo: a nossa derrota, eleitoral e política, foi contundente e reveladora dos erros cometidos pelas direções do PT, inclusive do ponto de vista ético. Cabe ao conjunto dos filiados do PT explicitá-los e buscar saídas para o impasse que alguns teimam em não reconhecer. Escolhas equivocadas a exigir mudanças drásticas. A profundidade da autocrítica que se espera venha a ocorrer no processo de reconstrução do partido, com reflexos em sua estratégia, na definição programática e na política de alianças para o próximo período, certamente terá consequências na decisão de muitos filiados de continuarem ou não militando no PT.

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5. No segundo semestre de 2017, avaliar o resultado alcançado no Congresso do PT e decidir, em processo de ampla participação, como se dará na sequência nossa militância política.

Objetivo: Muitos de nós ajudamos a fundar e a construir o PT com a proposta de ser um partido de massas, socialista e radicalmente democrático em suas relações internas e com a sociedade. Hoje estamos muito longe disso e sofremos enorme perda de credibilidade em decorrência das escolhas feitas e dos métodos adotados, em que pese os reconhecidos méritos de muitas das prioridades assumidas em nossa ação institucional. O surgimento de novas agremiações políticas no campo da esquerda democrática, de movimentos sociais contemporâneos, de novas modalidades de ativismo político e de lideranças com práticas políticas orientadas por utopias que são ou foram definidoras dos nossos projetos de sociedade nos permite pensar na viabilidade de outras formas de estarmos nas lutas sociais, na ação política e na vida pública, a depender de uma reforma política abrangente e da unidade que teremos em nosso campo.

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6. Decidir sobre nossa participação na disputa eleitoral de 2018.

Objetivo: a decisão de disputar ou não cargos eletivos em 2018 e, se for o caso, de que forma fazê-lo não pode estar dissociada da opção por enfrentar a discussão dos temas elencados nesse roteiro e o embate político correspondente. Desafio esse a ser enfrentado coletivamente e que implicará em assumirmos as consequências das escolhas que decorrerão desse processo participativo.

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outubro de 2016