Parlamentares se associaram à manifestação de Carlos Neder, que se recusou a fazer parte do que disse ser uma farsa

 

POR Luciene Leszczynski

O deputado Carlos Neder votou contra o relatório da CPI dos Planos de Saúde, que realizou nesta quarta-feira (09/08) reunião de encerramento. Para o parlamentar, não existe condições de aprovar um relatório, que deveria ser resultado de uma investigação séria, sobre um tema tão importante para a população como o atendimento em saúde, já que praticamente não houve o trabalho de apuração. Criada na Assembleia Legislativa de São Paulo, no final do ano passado, a CPI tinha como objetivo apurar possíveis irregularidades cometidas pelas operadoras privadas de saúde, seus prejuízos para a população e para o poder público.

A CPI encerra o trabalho após cinco reuniões realizadas, sendo que a maior parte tratou apenas de questões burocráticas e regimentais. Em praticamente seis meses de funcionamento, de 22 reuniões convocadas, cinco foram canceladas, 11 não aconteceram por falta de quórum e apenas seis ocorreram, já contando com a reunião de encerramento. O relatório final, apresentado pelo deputado Ed Thomas (PSB), acabou rejeitado por 3 votos a 2.

Neder lamentou ter feito parte da comissão e renunciou a vice-presidência do órgão, responsabilidade a qual disse ter aceitado na espera de realizar um trabalho condizente a parte das atribuições para as quais os deputados são eleitos. “Eu tenho vergonha de ter feito parte desta CPI, porque ela infelizmente não merece o nome de uma Comissão Parlamentar de Inquérito”, ressaltou, lembrando que chegou a apresentar roteiro de trabalho e sugestão de autoridades a serem ouvidas. “Me sinto constrangido, depõe contra o meu currículo e a minha história ter participado de uma atividade como essa que se aproximou muito de uma farsa do que propriamente de um trabalho que se espera do maior parlamento estadual do Brasil”.

Desde a instalação do órgão no parlamento paulista, Neder vinha denunciando o esvaziamento da comissão e cobrando providências da Alesp para que o trabalho de investigação pudesse ser efetivamente realizado. “Muitas vezes, as pessoas se perguntam se vale a pena instalar uma comissão parlamentar de inquérito, porque analisando a experiência de CPIs que já existiram há a crítica de que os temas são irrelevantes, ou, quando os temas são importantes, que muitas vezes essas CPIs acabam em pizza. Por quê? Porque elas não investigam, não convocam e acabam por não esclarecer os interesses escusos que possam estar envolvidos em práticas ilícitas e, frequentemente, com uso de recursos públicos”, ressalta Neder.

Outros parlamentares da CPI se associaram à manifestação de Carlos Neder e também foram duros com a atuação da Assembleia paulista.

O relator da comissão lamentou a falta de credibilidade do Poder Legislativo e apontou para aqueles que não cumprem com o seu dever para o qual foram eleitos. Ed Thomas ponderou que o relatório apresentado foi um esforço que precisou ser feito a partir do pouco que realizou na CPI. “Que registre-se a ausência daqueles que deveriam participar, que não cumpriram com o seu mandato e sua autoridade de fiscalizar. Mostra o descrédito da Alesp e da classe política em geral. Pudemos relatar aquilo que o país já conhece, que quem manda são grupos”, considerou Thomas. Ele lamentou ainda a rejeição da peça. “Parece que o relatório foi mal feito quando na realidade a CPI que não existiu. Vida que segue e que não coloque o meu trabalho como parte dessa vergonha e dessa farsa”, asseverou.

Também participaram da reunião os deputados Dr. Ulisses (PV), Ramalho da Construção (PSDB) e Wellington Moura (PRB), como presidente da CPI.