Por Vilcilene Fernandes

Preocupados com a situação da maternidade Santa Isabel, em Bauru, que nos últimos meses tem sido alvo de denúncias, noticiadas pela imprensa, devido a ocorrência de mortes de mães e de bebês, a Comissão de Saúde ouviu, nesta terça-feira (20/06), o presidente da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), Antonio Rugolo Junior, e o diretor técnico do hospital, Fabiano Milan de Freitas. A demanda para apurar as queixas contra a maternidade, que é dirigida pela Organização Social (OS) Famesp, partiu de vereadores da Câmara Municipal de Bauru.

Durante a reunião, os gestores fizeram uma breve apresentação sobre a instituição e todo trabalho desenvolvido por ela. O presidente da Famesp, informou que a maternidade apresenta os menores índices de mortalidade materna, assim como mortes fetais, em âmbito nacional e estadual. “Hoje a mortalidade materna no Brasil é de 60 mortes para cada 100 mil nascidos vivos, o da maternidade Santa Isabel é 54”, explicou. Ele também acrescentou que as mortes maternas decorrem de situações pré-hospitalares. “A mãe ou não faz o pré-natal ou não tem uma consulta médica de qualidade e o resultado disso são doenças que não são tratadas adequadamente que causam complicações na hora do parto que podem levar a morte… e a responsabilidade fica sobre o hospital”, conclui. Já o diretor técnico, Fabiano Milan de Freitas, ressaltou que de 2012 a 2017 a instituição teve sete casos de óbitos maternos, nos quais, três dos pacientes chegaram à unidade praticamente sem vida.

O deputado estadual Carlos Neder (PT) salientou a necessidade da Comissão de Saúde ouvir tanto a Secretaria Municipal da Saúde da cidade quanto a Secretaria do Estado da Saúde (SES). “É importante ouvir a Secretaria Municipal da Saúde, já que ela é a responsável pelo atendimento de pré-natal, que é feito na atenção básica, e a Secretaria de Estado da Saúde, porque é quem cuida do órgão de vigilância sanitária e nos dá informações sobre as condições de funcionamento da maternidade, se são adequadas e se o índice de mortalidade materna é aceitável”, pontuou.

 

Crise no Hospital São Paulo

Ainda durante a reunião da Comissão de Saúde voltou à tona mais uma vez a situação do Hospital São Paulo, que atualmente passa por uma crise financeira, com uma dívida de cerca de R$ 160 milhões com bancos e fornecedores. O estudante de medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Arthur Sapia, que participou da reunião representando os alunos da universidade, entregou um documento ao presidente da Comissão, Cezinha de Madureira (DEM), pedindo apoio do órgão para agendar uma audiência pública com o presidente da República e com o governador do Estado de São Paulo. A ideia é buscar uma solução o mais breve possível para o problema do hospital, que é um dos principais do país no atendimento de cirurgias de alta complexidade e para a formação de futuros profissionais de saúde.

Neder destacou ainda a importância de priorizar a demanda encaminhada pelos alunos da Unifesp.

Confira a reportagem feita pela Tv Assembleia sobre o Hospital São Paulo :