46ª Sessão Ordinária – 13 de abril de 2017 – Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo 
O SR. CARLOS NEDER – PT – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, cidadãos que nos acompanham pela TV Alesp, funcionárias e funcionários desta Casa. Encerra-se, hoje, a eleição para a diretoria do Sindicato dos Médicos de São Paulo. É uma importante categoria, responsável por muitos dos  avanços que observamos no Sistema Único de Saúde. Um sindicato que tem se colocado, claramente, ao lado dos interesses da categoria na defesa de uma remuneração adequada, com condições dignas de trabalho, fiscalizando tanto o poder público como o setor privado, sobretudo atento à situação que observamos na saúde suplementar, quando médicos trabalham nos planos privados de saúde, que deveriam estar sendo investigados pela Assembleia Legislativa de São Paulo. Foi criada uma CPI no dia 9 de dezembro de 2016 que, até hoje, não conseguiu funcionar, na medida em que o máximo que aconteceu até agora no parlamento estadual foi sua instalação com a eleição do presidente, deputado Wellington Moura, e minha eleição na condição de vice-presidente. Sequer relator nós temos definido no âmbito dessa CPI e, menos ainda, o rol de pessoas e instituições a serem ouvidas.

É claro que, dentre elas, deveríamos ter a presença do Sindicato dos Médicos de São Paulo, tal a quantidade de matérias que observamos nos seus jornais e boletins denunciando a má remuneração dos profissionais que atuam na saúde suplementar, demonstrando solidariedade em relação aos usuários que pagam esses planos privados de saúde e que acabam por não poder utilizá-los como deveriam e alertando para a sobrecarga que isso acarreta ao sistema público, seja em âmbito municipal ou estadual.Eu quero, entretanto, citar correspondências que temos recebido por parte da chapa 2, que é a chapa de oposição à atual diretoria do Sindicato dos Médicos. Ao invés de fazerem um debate sobre a situação da saúde no país, que é o tema de maior relevância e preocupação da população – observado em todas as pesquisas -, que tem sido um elemento de avaliação negativa de diferentes governos, em diferentes gestões e partidos políticos, preocupam-se em atacar.

Nós observamos que a chapa 2 adotou como tática atacar a diretoria atual do Sindicato dos Médicos, procurando obstaculizar no Poder Judiciário o desenvolvimento normal das eleições e, o que é pior, utilizando o mailing de várias associações e entidades da área médica para, indistintamente, dirigir-se a todos os médicos, sejam eles sindicalizados ou não, no sentido de nos envolver nesse debate de nível rebaixado que seus membros pretendem instalar  a partir da oposição que fazem ao Sindicato dos Médicos, com sua atual diretoria.

Eu mesmo, em minha casa, tenho recebido correspondências que não condizem com o que nós esperaríamos de um sindicato dessa importância, e da categoria que deve ser representada por pessoas que tenham, minimamente, responsabilidade nas afirmações que fazem.

Até material que eu utilizei em minha campanha eleitoral para deputado estadual, na qual houve o apoio de alguns dos atuais membros da diretoria do Sindicato dos Médicos, tem sido utilizado a de forma acrítica, irresponsável, para tentar jogar os profissionais contra a atual diretoria

Isso é uma bobagem, porque eu posso me orgulhar da minha trajetória como médico formado na Universidade de São Paulo, tendo mestrado em saúde coletiva pela Unicamp, tendo sido secretário de Saúde da prefeita Luiza Erundina, tendo colaborado em diferentes níveis para a produção de políticas públicas, inclusive no parlamento, em defesa do SUS. Acho, então,  que tentar vincular a atual diretoria do Sindicato dos Médicos à minha pessoa e ao nosso mandato nada mais representa do que dar um atestado de responsabilidade e compromisso com o interesse público.

Dessa forma, eu não posso admitir que essa prática da chapa 2 passe incólume. Exatamente por isso, informo  que encaminhei documento à Associação Médica Brasileira, ao Conselho Federal de Medicina, à Associação Paulista de Medicina, ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo e ao Sindicato dos Médicos, para saber quem autorizou a cessão do meu endereço e dos demais médicos para esse tipo de propaganda, se esse uso está disciplinado por esses órgãos de representação da categoria dos médicos e se há um tratamento isonômico a candidatos, seja a chapas dentro da categoria médica ou quando da disputa de mandatos eletivos, como é o caso de deputado estadual, deputado federal e senador.

Com que direito essas pessoas têm acesso a nossos endereços e à nossa correspondência eletrônica?

Muito obrigado.

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