Neder e lideranças durante Ato do Dia Mundial da Saúde/2013

(*) Carlos Neder

 Sabemos que a saúde é um direito garantido pela Constituição Federal a todos os brasileiros. Além disso, temos um dos modelos mais avançados no mundo de política pública e universal nessa área, inclusive com controle social, que é o Sistema Único de Saúde (SUS).

É preciso deixar bem claro que o SUS é uma conquista da sociedade. Ele é resultado direto das lutas históricas de diversas pessoas por justiça social, que se organizaram no país por meio do Movimento pela Reforma Sanitária.

Não há dúvidas de que urge ampliar a aplicação de  recursos financeiros dos estados e da União na saúde pública. Entretanto, ela já mobiliza percentual significativo do Produto Interno Bruto (PIB) do país e dos orçamentos nacionais em pessoal, insumos, tecnologias e gestão, o que só faz aumentar os interesses privados e mercantilistas sobre o setor.

A defesa do SUS é louvável e necessária, sobretudo agora que procuram difamar seus gestores de diferentes correntes políticas. Essa postura deve ser incessantemente perseguida por aqueles que querem uma política de saúde que atenda a todas as pessoas sem distinções, com gestão, ações e serviços descentralizados e a participação da comunidade na definição das prioridades.

Estranhamente, ao contrário até dos pedidos surgidos nas manifestações de rua por mais qualidade na saúde pública, percebe-se uma campanha difamatória contra o SUS. O curioso é que essa movimentação, obscura, sempre enaltece o setor privado de saúde, que é regulado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar. Entre outros pontos, há uma preocupação em ampliar os já fartos estímulos concedidos pelo Governo Federal, como a desoneração fiscal aos planos de saúde e aos hospitais, clínicas e laboratórios privados.

O fato é que essa mobilização tem procurado destruir a imagem dos gestores públicos e dos agentes políticos e sociais que lutam por mais conquistas no SUS. Ela vai, inclusive, na contramão do que pensa a própria população, que utiliza o sistema. Pior, parte da mídia bate em um modelo que é reconhecido em outros países como um dos mais avançados em relação à inclusão social, à promoção da saúde, qualidade de vida e à cidadania. Por tudo isso, fica claro: devemos denunciar os interesses que estão por trás desses ataques e dizer sim ao fortalecimento do SUS!

 

(*) O autor é médico, deputado estadual e coordenador do setorial de saúde do PT. 

1 Comentário

  1. Concordo plenamente com a posição do Deputado Carlos Neder, chega de ataque ao SUS. O que seria da grande maioria da população sem o Sistema Único de Saúde? Quem garante o atendimento a saúde da população? Tem que honrar o SUS, porque o SUS atende milhares de pessoas deste imenso Brasil, seja brasileiro ou estrangeiro, tudo de graça. Em 1996, trabalhei na Santa Casa de Misericórdia de SP, na área de Tecnologia da Informação – responsável pelo banco de dados SQL, pois, a Santa Casa atende público em geral de graça, inclusive uma parte é remunerado principalmente pelo SUS, e também sobrevive de doações de empresários, recurso do próprio Hospital Santa Isabel e da Faculdade de Medicina. Na minha opinião, não deveria ter planos de saúde particular, todos deveriam usar o SUS.

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