Companheiros/as,

Desde o momento em que lançamos nossa chapa à direção estadual do PT em São Paulo houve muitas mudanças na conjuntura e na organização partidária.

Tanto é assim que nosso companheiro Lula está preso, as resoluções aprovadas nas etapas estadual e nacional do Congresso Nacional do PT não chegaram a ser implementadas na sua essência e já estão em boa medida superadas.

Os recentes resultados eleitorais são indícios de mudanças mais profundas que movem a sociedade brasileira desde junho de 2013, bem como novas demandas vindas das classes sociais, a crescente contraposição aos fundamentos democráticos e rejeição aos partidos políticos, em especial os de esquerda.

O fortalecimento de lideranças de direita, pela primeira vez com apoio popular e inegável sucesso eleitoral, sinaliza dificuldades que teremos se não discutirmos internamente, de modo aprofundado, a rejeição ao PT e a necessidade de promovermos mudanças nas nossas formas de organização e atuação. Urge enfrentarmos o debate sobre nosso programa para a economia, a geração de empregos, oportunidades e garantia de direitos.

O Movimento Muda PT já não existe, as tendências internas ao PT vêm se modificando, nossa representação na direção estadual não teve força suficiente para fazer com que a mesma funcionasse durante as eleições de 2018, de modo a nos dar direção política em período particularmente conturbado e marcado por disputa polarizada de projetos políticos.

Sequer conseguimos romper com esse isolamento entre nós, no que foi a nossa Chapa e na relação estabelecida com nossas candidaturas proporcionais e os/as companheiros/as que nos representam nas direções partidárias. Nesse sentido, não vejo razão para continuarmos insistindo com a tentativa de nos mantermos organizados nessa configuração atual, tendo como referência o passado, seja enquanto o Movimento que deu origem à chapa estadual e mesmo, de modo ampliado, na chamada Plenária Democrática e Socialista.

São novos momentos e desafios para o PT, a esquerda e os democratas, a exigir que atualizemos nossa organização, revendo prioridades e modos de atuação em São Paulo. Comunico, assim, minha decisão de buscar novos caminhos no PT, cumprimentando os/as companheiros/as que trilhamos juntos/as esse caminho até aqui.

Permaneço aberto a discutir alternativas, entre nós e com outras lideranças, mas sem apego ao passado.

Carlos Neder