Hoje, toda pesquisa que for feita vai apontar a saúde como um dos itens que precisam ser melhorados em qualquer município. E mostrará também que as pessoas não costumam ter uma noção clara de como funcionam os serviços da área, sejam eles públicos ou privados.

O fato é que ainda persiste a ideia de que se alguém passa mal, a primeira providência a ser tomada é correr para o hospital ou ao pronto-socorro. Mesmo no caso de simples intercorrências, que poderiam ser resolvidas ambulatorialmente. No caso de São Paulo, parte dessa confusão ocorre devido às várias formas de atendimento existentes na atenção básica, como as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), as Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs) e a Estratégia Saúde da Família (ESF).

A confusão reinante é fruto da desintegração entre essas diferentes maneiras de organizar as ações da atenção básica. Dela decorre a insegurança que leva a população a sobrecarregar a assistência de urgência, emergência e hospitalar em prejuízo ao atendimento dos que efetivamente lá deveriam estar.

A partir desse diagnóstico, o prefeito Fernando Haddad orientou forte investimento para que a assistência básica seja de qualidade e resolutiva. Estima-se que 80% dos problemas de saúde possam ser resolvidos em âmbito local, a partir da integração desses três componentes da atenção básica. Veio daí a proposta de criar a UBS Integral e de usar esse conceito para modernizar as unidades já existentes.

A população tem o direito de ser bem atendida e de maneira rápida quando necessita, e não apenas mediante agendamentos. Direito de ser bem acolhida e de modo humanizado, sem ter de esperar horas e horas para passar por uma consulta ou realizar um exame. Isso impõe um grande desafio aos gestores, no que se refere ao aperfeiçoamento da saúde pública, à organização dos serviços em rede e à criação de novas abordagens, como a UBS Integral.

A atenção básica, que representa o primeiro nível de contato do cidadão com o Sistema Único de Saúde (SUS), precisa ser prioridade e repensada por meio de uma visão mais abrangente. Para tanto, é preciso articular as formas de atendimento para quem faz uso desses serviços e de suas ações de promoção da saúde, de prevenção de doenças e de assistência aos agravos, contando com equipe multiprofissional e enfoque interdisciplinar. Essa orientação é importante para se garantir, em cada nível do SUS, acesso e resolutividade em tempo adequado às necessidades de saúde dos cidadãos.

Exemplo disso é a recente inauguração da UBS Integral Jardim Vera Cruz, na zona sul da capital. Trata-se do segundo equipamento de saúde pública, em São Paulo, que reúne, em um mesmo espaço, o conjunto das ações de atenção básica antes dissociadas em unidades de pronto-atendimento (AMAs), de Estratégia de Saúde da Família (com médicos generalistas, profissionais de enfermagem e agentes comunitários de saúde) e em UBS tradicionais (com pediatras, clínicos, ginecologistas, profissionais de saúde bucal, mental e outras), para atendimentos agendados e de demandas espontâneas. À iniciativa, que é inédita no país, soma-se a reorganização da rede em outros níveis de atenção, como é o caso da Rede Hora Certa (em unidades que integram atenção especializada, exames de imagem e salas para cirurgia ambulatorial).

Esse modelo permite racionalizar e dar consequência à política de atenção básica, além de facilitar sua integração com a atenção especializada, de urgência e emergência (com o SAMU, os pronto-socorros e as UPAs), de assistência hospitalar e outras. Os desafios na saúde pública são enormes e constantes. É preciso coragem e ousadia para enfrentá-los. Afinal, temos um dos mais avançados sistemas públicos de saúde do mundo, que é o SUS. Por isso mesmo, precisamos ousar e aprimorar os seus mecanismos de funcionamento para que a população tenha acesso garantido a atendimento público e de qualidade, sempre sob controle da sociedade.

 

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