Em um auditório com mais de 300 professores, funcionários e alunos da USP Leste, a Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa debateu a denúncia de contaminação do terreno onde funciona o campus. Como consequência da denúncia, as três categorias estão em greve e reivindicam a destituição do diretor e do vice-diretor da unidade.

O assunto foi discutido durante uma audiência pública informal, proposta pelos  deputados Adriano Diogo, João Paulo Rillo, Carlos Neder, José Zico Prado e Telma de Souza. O encontro aconteceu durante reunião da Comissão de Educação e Cultura, que aprovou requerimento para seja convocada uma nova audiência, formal, na qual os representantes do governo e a reitoria da USP serão convocados.

A professora Adriana Pedrosa Biscaia, representante dos professores da USP Leste, destacou a gravidade da situação do campus, que possui histórico de problemas ambientais desde que foi instalado, há oito anos. No último dia 6 de setembro, foram afixadas placas alertando sobre a contaminação em uma área da universidade.

Júlia Mafra, representante dos alunos, avaliou o momento histórico, no qual docentes, funcionários e alunos da universidade estão em greve por não aceitar as ações da direção da instituição.

Ernandes Pereira, que representa os funcionários administrativos, abordou o assédio moral sofrido pelos colegas que se queixam da situação vivida na USP Leste e classificou como “vergonhosa” a transferência de terra contaminada, do leito do rio Tietê, para o terreno do campus.

Para o deputado Carlos Neder, é “inaceitável” o agravamento da situação, ocorrido após a destinação desses dejetos, desde 2011, que tornam ainda mais crítica uma realidade que já vem sendo enfrentada naquele campus há anos.

“Infelizmente a maneira como se deu a instalação desse campus avançado foi a pior possível. Utilizou-se um terreno sabidamente contaminado. E essa situação vem se arrastando há oito anos”, destacou Neder.

O deputado assinalou ainda que há dois inquéritos do Ministério Público que investigam o caso. Em ambos, restou a conclusão de que o governo estadual tinha conhecimento dos problemas, que foram sucessivamente protelados.

“A palavra mais utilizada é ‘aguarde-se’. Aguarde-se manifestação da Secretaria do Meio Ambiente, aguarde-se manifestação dos órgãos responsáveis pelo monitoramento da área”, afirmou Neder. “Queremos ouvir o Ministério Público, a Secretaria do Meio Ambiente e também saber da USP por qual razão ela acabou se sujeitando a essas condições impostas pelo poder Executivo”, argumentou.

O deputado Carlos Neder frisou ainda que há denúncias de pagamento de propinas a agentes públicos para que o material contaminado pudesse ser depositado nessa área.

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