Foi constituída na quarta-feira (15/03) a nova Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, que irá comandar os trabalhos do Parlamento paulista pelo próximo biênio. A eleição de cada um dos deputados membros – presidente, 1º vice-presidente ao 4º vice-presidente e 1º ao 4º secretário (nove cargos ao total) – ocorreu individualmente, marcada pelo amplo apoio dos parlamentares ao deputado Cauê Macris (PSDB) para a presidência da Casa.

Candidatura de Neder à presidência da Assembleia paulista se contrapunha ao “toma lá da cá“ que enredou o partido numa política de conciliação e sem força de oposição

Incluindo o voto da maioria da bancada petista, mesmo tendo sido apresentada a candidatura do deputado Carlos Neder (PT), o tucano recebeu 88 votos. Neder foi apoiado apenas pelo deputado colega de partido João Paulo Rillo. Ambos deputados vinham encabeçando em São Paulo o movimento Petista Não Vota em Golpista, com a participação do deputado José Américo (PT), mas que na última hora acabou seguindo o voto da bancada, orientada pelo Diretório Estadual do partido.

O movimento dos deputados, que culminou com a apresentação da candidatura de Neder, fazia um contraponto na discussão sobre o comando do Legislativo paulista, entendendo ainda que a atual conjuntura política no país, Estado e município de São Paulo, sob governos apoiadores do golpe, não permite a composição com representantes do PSDB. A candidatura de Neder teve o apelo de parte da militância do PT, que chegou a entregar ao líder da bancada, deputado Zico Prado, uma carta subscrita por cerca de 300 nomes reivindicando a candidatura de Carlos Neder à presidência da Assembleia e contra o apoio dos petistas ao deputado governista (veja aqui a íntegra da Carta de militantes petistas ao líder do PT na Alesp).

Rillo e Neder protagonizaram movimento contra a conciliação com o PSDB golpista

“Com apoio da militância e depois de um longo período defendendo que a bancada petista não apoiasse o PSDB na eleição da Assembleia Legislativa, a votação seguiu o rumo oposto. Deputadas e deputados tiveram a opção de votar no PT, depois que garantimos a candidatura própria, mas apenas dois dos 15 parlamentares petistas, eu e o companheiro João Paulo Rillo, votamos no PT para presidente e 1º secretário da Alesp. Seguimos lutando, tranquilos com a nossa conduta, contra um governo que ataca a população de São Paulo e promove retrocessos sociais há décadas“, escreveu Neder na sua página do Facebook, logo após a eleição.

Neder chamou a atenção para o fato de que o Partido dos Trabalhadores não só poderia como deveria ter um outro tipo de participação proporcional na direção da Alesp sem precisar fazer uma política de acordo e do “toma lá da cá“. “Acho que cada vez mais a Assembleia vai ter de se recompor aos olhos da população e nós que somos de esquerda, que temos compromisso com a luta popular e nos colocamos contra o golpe e em defesa dos direitos dos trabalhadores para que não tenhamos mais perdas do que já tivemos no governo Temer, precisamos mudar a nossa atitude para fazer uma oposição mais consistente no Estado de São Paulo“, alertou Neder.

Militância do PT compareceu à galeria do plenário para indicar seu descontentamento com a posição da bancada em votar no candidato tucano. Fotos: Vil Fernandez

 

Direito garantido

Um recurso encaminhado ao presidente da Casa que conduzia o processo de eleição garantiu a candidatura de Neder, apresentada no plenário pelo deputado Rillo. Apesar de o regimento da Assembleia conferir ao líder da bancada a indicação de candidatura, o entendimento do presidente Fernando Capez (PSDB), conforme documento formalizando a inscrição, foi de que o dispositivo interno não supera prerrogativas ao exercício de mandato parlamentar estabelecidas pela Constituição.

Além de Cauê Macris (PSDB) eleito presidente da Alesp, foram conduzidos à direção do parlamento paulista os deputados Luiz Fernando (PT) como 1º secretário; Estevam Galvão (DEM) como 2º secretário; deputada Analice Fernandes (PSDB) como 1ª vice-presidente; Maria Lúcia Amary (PSDB) como 2ª vice-presidente; Milton Vieira (PRB) como 3º vice-presidente; Jooji Hato (PMDB) como 4º vice-presidente; Chico Sardelli (PV) como 3º secretário; e Adilson Rossi (PSB) como 4º secretário.

 

Movimento ganhou a militância

A atual conjuntura política, marcada nacionalmente pelos retrocessos nas políticas sociais, promovidos pelo governo do presidente ilegítimo Michel Temer, e caracterizada no Estado e município de São Paulo pelas gestões privatistas do governador Geraldo Alckmin e do prefeito João Doria, exige do PT a realização de uma oposição mais consistente a tais projetos. Além disso, com a credibilidade abalada após o duro processo de impeachment, que destituiu a presidenta Dilma Rousseff e teve desde sempre o apoio dos tucanos entre outros atores, a militância do partido clama por uma correção nos rumos do partido.

Militantes de todo o Estado, como o pessoal de Sumaré, que esteve presente no Ato Petista Não Vota em Golpista, ocorrido no dia 9 de março, se associaram ao movimento

Assim, o movimento Petista Não Vota Em Golpista, nascido em torno da eleição da presidência do Congresso Federal, em janeiro, ganhou força no Estado de São Paulo por conta da eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa paulista. No entendimento da militância petista, não é razoável associar-se aos tucanos. Representantes do partido em dezenas de municípios paulistas associaram-se ao movimento, militantes de diversas correntes entre outras lideranças partidárias e de outros movimentos sociais, professores etc.

A Juventude do PT de Taubaté publicou na sua página no Facebook nota manifestando seu posicionamento “totalmente contrário” à realização de uma aliança com o PSDB na eleição da mesa diretora da Alesp. “Diante da conjuntura atual, entendemos que a composição com os tucanos (grandes articuladores do golpe que retirou a Presidenta Dilma) em troca de cargos se configura como uma aliança espúria. No momento atual, não cabe realizar este tipo de aliança”, diz o texto postado no dia 10 de março. Os jovens militantes também esperavam uma atitude da bancada petista se afirmando mais contundentemente enquanto oposição, e já sugeriam a apresentação de uma candidatura própria “visando unir demais partidos de oposição ao governo Alckmin”.

O movimento paulista chegou a receber ainda o apoio de companheiros do Paraná. Intitulada Carta de Curitiba contra o voto dos deputados petistas de SP em Cauê Macris do PSDB, o documento foi direcionado aos deputados do PT em São Paulo. “É inacreditável ver que a história recente do nosso país não lhes mostre o desastre da conciliação com os partidos que agem para massacrar, com a força da repressão e do arrocho, os direitos dos trabalhadores e jovens, em troca de cargos”, diz a carta (veja aqui a íntegra do documento).

 

Veja aqui a galeria de fotos da sessão de eleição da Mesa Diretora da Alesp.

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