Fórum Nacional em Defesa da Embrapa Pública debateu a importância da promoção da Ciência e Tecnologia em caráter público e os impactos do novo marco legal para a área

 

A área de Ciência & Tecnologia (C&T) não escapa da lógica do Estado mínimo, que privilegia os interesses de grupos econômicos em detrimento de políticas públicas democráticas e que vem sendo empregada pelos atuais governos tanto no Brasil quanto em São Paulo. O caráter desse modelo de governo e como se articular para frear o desmonte do Estado foram assuntos abordados pelo deputado Carlos Neder (PT) no Fórum Nacional em Defesa da Embrapa Pública, ocorrido nesta sexta-feira (23/02), no auditório da Associação dos Docentes da Unicamp (ADunicamp), em Campinas.

Participantes criticaram desvio de finalidade da essência do trabalho realizado na Embrapa, cada vez mais direcionado para o atendimento de demandas do setor privado

A realização do evento se dá no momento em que uma série de mudanças estão em andamento na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que impactam diretamente a atividade desenvolvida e, consequentemente, a sociedade. A questão central tem relação com o desvio da essência do trabalho realizado na Embrapa que, cada vez mais, é direcionado para o atendimento de demandas do setor privado.

 

Ciência e Tecnologia Pública: para que e para quem?

Na opinião do deputado Carlos Neder, não é possível dissociar esse debate da discussão sobre a atual conjuntura política, da visão de Estado sobre a relação público-privada e da questão sobre os mecanismos de controle público e de participação da sociedade. “Sabemos que temos um Congresso Nacional conservador, alinhado com interesses de grandes grupos econômicos, que, sobretudo num período de crise econômica, procuram se apropriar dos fundos públicos favorecendo interesses próprios”, apontou Neder.

Ele lembrou mudanças promovidas no marco legal de C&T, tanto em nível federal como estadual, que vão minando o desenvolvimento de pesquisa, ciência, tecnologia e inovação de caráter público e não somente por vocação econômica, diferentemente do que caracteriza a pesquisa de interesses privados. “Problema é que temos uma parte da comunidade científica achando que as mudanças são um bom negócio. Pode ser bom para o pesquisador, pela visibilidade e o aumento da sua remuneração”, alerta Neder. No entanto, acontece que muitas dessas pesquisas correm o risco de serem orientadas apenas pela viabilidade econômica e não necessariamente em prol do bem comum. É o caso, por exemplo, do direcionamento das pesquisas para o agronegócio em detrimento do desenvolvimento da agricultura familiar e da agroecologia.

Participaram do fórum, que ocorreu no auditório da ADunicamp, pesquisadores e trabalhadores de diferentes áreas da Embrapa e agricultores

Assim, o marco legal vai sendo alterado justamente para dar condição para que esses grandes grupos – coincidentemente aqueles que financiam campanhas eleitorais -, estando dentro da máquina pública, possam operar independentemente de futuros governos.

Para Neder, mesmo num campo de pensamento heterogêneo, é preciso a unificação de esforços em torno da defesa do caráter público das políticas voltadas ao desenvolvimento e com base na produção de ciência, tecnologia e inovação. “É preciso encarar o debate sobre a política de C&T no sentido de construção projeto de desenvolvimento do estado e do país. Um projeto que não se confunde com esse que está aí, altamente prejudicial à soberania nacional, aos interesses dos trabalhadores, das forças produtivas e dos setores democráticos, que vêm sendo sistematicamente prejudicados em função das decisões que são tomadas por estes governos, sem a participação da sociedade, seja por meio de conferências, conselhos ou ouvindo a população por meio de plebiscitos, referendos e leis de iniciativa popular”, ressaltou Neder.