(*) Carlos Neder

 Como não há argumentos que justifiquem o esgotamento do governo estadual e a falta de iniciativa de Alckmin para melhorar a qualidade de vida da população paulista, a administração do PSDB prefere acusar de intransigentes aqueles que querem debater a situação de abandono em que se encontra o Estado de São Paulo.

Isso causa espanto, já que na Assembleia Legislativa temos aprovado vários projetos que autorizam o Estado a obter recursos mediante operações de crédito com o governo federal e bancos internacionais. Porém, tal fato não significa que a gestão estadual esteja realizando esses gastos conforme o esperado em obras viárias, transporte coletivo e políticas sociais.

Ao comparar o valor autorizado pela Assembleia com o que foi utilizado por Alckmin, vê-se uma defasagem. A diferença ocorre porque a administração tucana tem dificuldade em obter recursos internacionais, ainda que conte com aval do governo federal, o qual, aliás, tem contribuído com quantias acima do originalmente previsto.

 Somente em 2013, houve o financiamento de R$ 4,78 bilhões por parte do tesouro federal para obras relacionadas ao Rodoanel Norte, Metrô, EMTU, CDHU e Dersa. O valor equivale a 26,5% do total gasto pelo governo do PSDB no Estado.

 Desde 2007, mais de R$ 43 bilhões em empréstimo para São Paulo vieram da União ou dos bancos federais (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES). Tudo devidamente aprovado pela Assembleia Legislativa, inclusive com voto da bancada do PT.

 O fato é que o governo federal tem garantido, com recursos próprios e aportes de bancos, parte significativa do dinheiro que o governador Alckmin precisa para levar adiante importantes obras. Além disso, como principal avalista de São Paulo, a União faz os encaminhamentos e procedimentos para os empréstimos externos, que são de responsabilidade da administração tucana.

 Ao contrário do que procuram fazer crer, a população tem o direito de saber que nós, da bancada de oposição, não atuamos contra os interesses do Estado. Pelo contrário, temos aprovado projetos que beneficiam a sociedade, independentemente de serem iniciativas da atual gestão. É o caso, por exemplo, do monotrilho que vai da Vila Prudente até Cidade Tiradentes, da linha 5 do Metrô, da Nova Tamoios, do Corredor Itapevi-Jandira e dos benefícios na Baixada Santista, que têm participação e apoio do governo federal.

 As cidades de Araçatuba, Barretos, Bauru, Campinas, Franca, Marília, Presidente Prudente, Registro, Ribeirão Preto, Santos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Sorocaba, além dos municípios da Grande São Paulo, estão sendo beneficiadas com mais de R$ 17 bilhões, o que inclui recursos liberados pela presidenta Dilma Rousseff.

 Espera-se que o governador Alckmin reconheça erros de planejamento e de gestão de políticas, como acontece hoje na questão da água, da violência, da educação e da saúde, adotando postura republicana para dar o devido valor ao importante auxílio prestado pelo governo federal, em face da situação de abandono em que se encontram as políticas públicas e sociais na administração do PSDB.

 (*) O autor é deputado estadual (PT). Contatos: www.carlosneder.com.br / (11) 3105-5632.

 

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