POR Luciene Leszczynski

O deputado Carlos Neder participou, nesta segunda-feira (21/08), da posse da nova diretoria da Adunifesp – Associação dos Docentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O evento ocorreu no Anfiteatro Leitão da Cunha, no campus de São Paulo da universidade, e também contou com a presença dos deputados federal Ivan Valente e Carlos Giannazi, ambos do PSOL, das representantes regional do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN) Ana Maria Estevão; e do Diretório Central de Estudantes (DCE) da Unifesp Marcela Becegato; além da reitora da Unifesp, Soraya Smaili, pró-reitores, professores e integrantes da nova direção da entidade.

Neder agradeceu pelo convite para participar do ato ressaltando o caráter crítico da atividade. “Não é simplesmente uma transmissão burocrática de cargo, mas um debate consistente do campo da esquerda, daqueles que têm coerência nas suas práticas, ainda que não necessariamente pensem igual sobre todos os temas”. O deputado também ressaltou a importância da atuação da entidade na defesa dos trabalhadores e da universidade pública especialmente neste momento em os governos do PSDB em São Paulo, e do PMDB e seus aliados no país, acentuam a ação privativista das políticas de Estado. “Nós temos visto aqui em São Paulo a venda do patrimônio público e a extinção de órgãos como o Cepam e Fundap, numa atitude que expressa determinada visão sobre o Estado e da relação público-privado, colocando os agentes econômicos para operar dentro do próprio espaço público. Ou seja, se antes eles se conformavam em delegar a gestão para as instituições privadas, ou usar a compra de consultorias de mercado em detrimento daquilo que podia ser feito pelo próprio poder público, agora nós observamos que a prática mais atual é trazer os grandes grupos econômicos para operarem diretamente dentro do espaço público, definindo o marco legal, instituindo políticas de acordo com seus próprios interesses e quebrando os mecanismos de controle público”, lamentou Neder.

Neder lembrou que coordena na Assembleia Legislativa paulista a Frente Parlamentar em Defesa das Universidades Públicas no Estado de São Paulo. “Temos feito um trabalho interessante, dialogando com as entidades de docentes, com os sindicatos de trabalhadores, com os estudantes organizados ou não em DCEs e representantes da sociedade civil, de forma a recolocar o debate sobre o fortalecimento da universidade pública no Brasil e em São Paulo. Paralelamente, nós precisamos abrir uma discussão sobre o progressivo processo de privatização, a entrada do capital internacional, a formação de grande conglomerados e sobre a forma como estes entes econômicos operam na área da educação em torno de objetivos mercantilistas, que acabam interferindo, inclusive, na democracia representativa, financiando e coagindo parlamentares a atuarem de acordo com interesses próprios e não do interesse público”, apontou Neder. O deputado reforçou ainda o convite para a participação da entidade na próxima reunião da Frente Parlamentar, que será realizada no dia 30 de agosto na Assembleia Legislativa.

O novo presidente da entidade, Daniel Feldemann, salientou o compromisso com um sindicato que seja autônomo e independente. De acordo com ele, é preciso unidade na defesa dos direitos, ainda que a força da entidade seja composta de pensamentos diversos. Feldemann ressaltou o ataque aos serviços públicos promovido pelo atual governo. “Uma universidade gratuita e autônoma não fecha com o projeto de país em curso. Hoje o que acontece é a lógica do mercado, ou seja, da mercantilização das relações sociais”, lamentou, lembrando o desinvestimento ocorrido na universidade pública. “A universidade é alvo privilegiado para o ataque dessa política porque é um lugar onde se pode pensar, construir pensamento crítico e autônomo”, destacou.