Certas mentiras parecem se tornar verdades sob a ótica de quem, preconceituosamente, tenta destruir as boas conquistas sociais. Esse é o caso do programa federal Mais Médicos, idealizado pelo ex-ministro Alexandre Padilha.

O recente episódio da médica cubana Ramona Rodriguez, que abandonou o programa por razões pessoais e entrou com ação reivindicando direitos trabalhistas e danos morais, é um exemplo típico de como a oposição ao Governo Dilma busca dividendos político-eleitorais sem se preocupar com danos aos cidadãos e em colocar em risco uma política pública, universal e de qualidade.

Soma-se a isso, ainda, a dificuldade de alguns meios de comunicação em retratar corretamente o episódio, deixando de informar como deveriam os compromissos assumidos pelos médicos nos dois países e reforçando preconceitos contra Cuba.

É preciso esclarecer o ocorrido! Para o bem da verdade, das pessoas que utilizam e precisam do atendimento médico que vem sendo prestado e da defesa do próprio Sistema Único de Saúde (SUS).

Avaliação do Mais Médicos aponta que 100% das demandas dos municípios mais pobres já foram devidamente atendidas. Estamos falando de cerca de 1.500 cidades brasileiras com IDH (índice de desenvolvimento humano) baixo e muito baixo ou com 20% ou mais da população em situação de extrema pobreza.

Os partidos de oposição têm o direito de criticar o programa, desde que suas opiniões estejam fundamentadas em questões de ordem técnica. Bem ao contrário da postura adotada de simplesmente levar essa discussão para o campo meramente eleitoral.

É preciso deixar claro que o contrato que o Ministério da Saúde mantém com a Organização Panamericana de Saúde (OPAS) é de conhecimento dos profissionais cubanos que decidiram aderir ao programa. Nada foi escondido. Daí que a alegação de desconhecimento não convence. Da mesma forma, fica-se com uma sensação estranha a partir do momento que a médica procura apoio junto a partidos de oposição e, de cara, pede asilo político nos Estados Unidos.

Brincar com questões que digam respeito ao bem-estar das pessoas, ainda mais da parcela mais pobre da população, que necessita de atenção médica a que nunca tiveram acesso, é algo que não pode nem deve ocorrer. Ações de oposição como essa em nada contribuem para melhorar a saúde pública em nosso país. Isso serve, apenas e tão somente, para colocar o SUS em perigo, e não para a construção de uma política de saúde que se queira universal e com a devida qualidade.

Carlos Neder

(*) O autor é médico sanitarista e deputado estadual (PT). Contato: www.carlosneder.com.br / (11) 3105-5632. 

Deixe uma resposta