Carlos Neder

 Sempre defendi e defendo os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), que prevê atendimento público de qualidade, sob controle social. Essa posição condiz com minha trajetória em defesa da reforma sanitária, minha formação de médico pela USP e com o fato de ter sido secretário de saúde da cidade de São Paulo, no primeiro governo do PT (1990-1992).

Assim como vários profissionais da área, sou um apoiador do programa Mais Médicos. A iniciativa do ministro Alexandre Padilha, que é ousada, está em sintonia com o clamor popular e mostra que é possível enfrentar a falta de médicos na periferia dos grandes centros urbanos e nas cidades menores. Aliás, nesse caso, estamos falando de municípios, em diferentes regiões do Brasil, em que, muitas vezes, a população nunca pôde contar com esse tipo de assistência.

Essa visão humanista da saúde, contando com a solidariedade de profissionais formados em outros países, tem enfrentado resistência por determinados setores da elite e da corporação médica brasileira. Eles tentaram ideologizar e levar a discussão para uma crítica preconceituosa em relação aos médicos estrangeiros, principalmente os cubanos.

Que fique bem claro que o programa está inserido dentro de um leque de medidas adotadas pelo Governo Federal para aprimorar o SUS. Isso inclui mais investimentos em infraestrutura de hospitais e unidades de saúde, além de melhorar as condições de trabalho e de levar esses e outros profissionais para as regiões que mais necessitam deles.

A ojeriza aos estrangeiros não condiz com a cultura brasileira e vem causando celeuma, em detrimento da imagem de boa parte das entidades que representam nossa categoria. A mentira de que esses profissionais serão tratados como escravos procura confundir a opinião pública e mostra uma postura racista e xenófoba.

Aos poucos, a população brasileira vai conhecendo a história de vida desses médicos e se afeiçoando a eles, pelo desapego demonstrado ao se disporem a exercer a medicina junto às comunidades mais carentes, em que muitos dos nossos colegas se recusam a ir.

Setores da direita e conservadores chegaram a insinuar que a vinda dos médicos cubanos representaria a introdução da revolução castrista no Brasil. Tenho dito, em alto e bom som, que já estamos fazendo a revolução em nosso país. Uma revolução democrática, humanitária e voltada à inclusão social, em que a população consegue ter acesso a diversas conquistas, que até então estavam restritas a poucos. O Mais Médicos irá impulsionar ainda mais essa revolução por melhorias e, dessa vez, na saúde e em defesa do SUS.

 

Ato em defesa do mais médicos
Foto: Luciney Martins

 

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