Carlos Neder

A tão propalada ficção de que as administrações do PSDB são um modelo de gestão administrativa, o que lhes permitiria atender adequadamente as demandas da população, caiu ladeira abaixo. E no que se refere ao gerenciamento da máquina pública, falta ao partido justamente compromisso com a gestão pública eficiente e cuidado na maneira de tratar os recursos dos impostos. Sem falar na decisão temerária de entregar os bens públicos – construídos e gerenciados com dinheiro da população – para a iniciativa privada por meio de Organizações Sociais ou de licitações dirigidas.

Episódios recentes colocam na ordem do dia a discussão da visão que se tem da reforma do Estado, da gestão das políticas públicas e do papel do servidores públicos. Exemplos de erro não faltam. No Estado de São Paulo, como se não bastassem as fartas e sérias denúncias sobre os contratos do Metrô e de trem, agora se fica sabendo que o Ministério Público investiga irregularidades de nepotismo (contratação de parentes) e de nomeações inadequadas nas secretarias estaduais. Suspeita-se que cerca de 1.500 pessoas foram empregadas, de forma indevida, nas gestões Alckmin e Serra.

O que chama a atenção é que as contratações se deram por empresas públicas, como o Metrô e a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) – olha eles aí de novo! Sem falar da Fundação Seade, Emplasa, Cepam, Fundap e Prodesp. Alguns salários chegam a R$ 40 mil mensais. Tudo soa estranho quando se observa que recente decreto do governador Alckmin (Decreto n. 59.327/13) foi editado com o pretexto de enxugar a máquina, reorganizar esses órgãos e garantir o uso racional de recursos. Será?

É inadmissível a desfaçatez da propaganda enganosa de que o governo vem sendo vítima de cartéis formados por empresas inescrupulosas, pois a cada dia fica evidente a existência de relações espúrias entre agentes públicos e privados na esfera estadual. Enquanto familiares e protegidos ganham altos salários, não se discutem as condições profissionais e salariais dos demais trabalhadores responsáveis pela excelência dessas empresas.

A Assembleia Legislativa não pode se omitir e deve sim convocar outros órgãos de controle externo — como o Ministério Público Estadual e o Tribunal de Contas do Estado — e explicar que providências tomaram a partir das representações feitas pelo PT desde 2008.

1 Comentário

  1. Realmente é inadmissível a mentira que o Governador do PSDB fala que foi vítima de cartéis formado pelas empresas. Se isso for verdade, o Governador do PSDB não sabe lidar com a gestão pública, caracteriza-se improbidade administrativa, falta de competência na gestão pública, isso é caso de Impeachment ao Governador Geraldo Alckimin. Olhando por outro angulo, passou de mão em mão o Governo do SP, pelo Mário Covas, Serra e Alckimin, nós povo de São Paulo, desconfio que tem mais coisa podre neste reino, desde a concessão de rodovias estaduais, fornecimento de materiais p/ hospitais estaduais, quantidade de pedágios exagerados nas rodoviais estaduais (exemplo: Marechal Rondon), construção de casas populares, privatização do BANESPA, e etc e etc…. É CPI JÀ para Metrô e Trem/CPTM.

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