Movimentos sociais propõem ação para cobrar de Alckmin crise da água. PT já tem pedido de CPI

Bancada do PT recolhe assinaturas para protocolar pedido de CPI para apurar as perdas de água e contratos da Sabesp com empresas de ex-diretores

Movimentos sociais e sindicais anunciaram, nesta terça-feira (13/5), que vão organizar uma mobilização para denunciar falta de ação do governo de Geraldo Alckmin sobre a crise de abastecimento que afeta a população das regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas. A decisão foi informada durante o seminário “A Crise da Água em São Paulo”, que discutiu o tema.

“Vamos nos reunir com os demais movimentos para organizar esse processo. Vamos convocar associação de bairro, igrejas, todos os que podem ser impactados por essa situação”, prometeu o presidente da CUT de São Paulo, Adi dos Santos Lima. O dirigente cutista disse também que a entidade questionará na Justiça uma possível implementação da multa sobre o consumo de água, por considerá-la inconstitucional. A medida é defendida por Alckmin, como forma de forçar a economia de água da população abastecida pelo Sistema Cantareira, que hoje chegou a apenas 8,6% da capacidade.

Para os movimentos, a seca no Sistema Cantareira é fruto da má gestão do governo estadual e da Sabesp. E não somente um problema climático ou culpa da população que gasta demais. “Está faltando mobilização de rua para cobrar do governo estadual esclarecimentos em relação à crise e explicar a falta de investimentos e do acesso à água”, afirmou Benedito Barbosa, coordenador da CMP.

Líder do PT denuncia que racionamento já existe

O líder da Bancada do PT, deputado João Paulo Rillo, enfatizou que o racionamento já é realidade nas periferias, apesar de toda a negativa do governador. Neste sentido, pessoas presentes no seminário deram depoimentos reforçando a denúncia, como é o caso de
Jadir Bonancia, morador da Casa Verde, zona norte, e militante do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), disse que todas as noites a região fica sem água, contando apenas com as caixas d`água de cada residência. “Nunca fomos informados oficialmente, mas por volta de 22h não tem mais água vindo da rede. E só volta pela manhã”, afirmou.

O ex-prefeito de Diadema, Mario Reali, que apresentou estudos que demonstram a má gestão da Sabesp, explicou que a crise da água em São Paulo é a “crônica de uma morte anunciada”. São Paulo tem necessidade de 28 metros cúbicos de água por segundo e, com o volume morto, chegará a apenas 14 m3. “A própria Sabesp admite que há uma diminuição na vazão durante a noite que equivale a um rodízio 48h por 48h”, ressaltou Reali.

PT quer CPI para investigar perdas de água e contratos da Sabesp

A Bancada do PT na Assembleia Legislativa quer investigar, por meio da instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito –CPI, as perdas de água da Sabesp. A companhia tem um contrato de R$ 400 milhões com a companhia japonesa de desenvolvimento – Jica –, executado desde 2009, mas cuja situação continua a mesma: perde-se cerca de 30% da água tratada para a região metropolitana de São Paulo.

O requerimento de pedido da CPI, de autoria do deputado Marcos Martins, descreve também a investigação da contratação de empresas de ex-diretores da Sabesp, que prestam serviço para a companhia, sobretudo em manutenção de redes. Até o momento, 26 parlamentares assinaram o requerimento. São necessários 32 para que o pedido seja protocolado.

Os deputados Adriano Diogo, Alencar Santana Braga, Ana do Carmo, Antonio Mentor,Beth Sahão, Carlos Neder, Enio Tatto e José Zico Prado, também estiveram presentes no seminário e abordaram em suas intervenções a responsabilidade do governo tucano sobre a atual crise, pois não foram feitos os investimentos necessários, apesar dos altos lucros da Sabesp. “Privatizaram a empresa, que passou a ter que dar a lucro aos acionistas e ao invés de resolver os problemas de saneamento do Estado”, disse Adriano Diogo.(sc)
(*com informações da Rede Brasil Atual)

 

Leia a posição do deputado Carlos Neder sobre o tema:

http://www.deputadocarlosneder.com.br/sem-picuinhas-governador/

http://www.deputadocarlosneder.com.br/blog-viomundo-carlos-neder-a-tentativa-de-esconder-o-apagao-da-agua-em-sp/

http://www.deputadocarlosneder.com.br/e-a-agua-governador/

 

  

Veja abaixo manifesta dos movimentos populares sobre a crise da água em São Paulo

Manifesto

Crise da Água em São Paulo  é culpa dos governos do PSDB

Entidades do movimento popular, sindical e parlamentares reunidos no último dia 24 de abril para discutir a crise da água em São Paulo, por iniciativa da Liderança do Partido dos Trabalhadores na Assembleia Legislativa, debateram e chegaram a conclusão de que a crise da água que afeta a população da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e Região Metropolitana de Campinas (RMC) é responsabilidade dos sucessivos governos do PSDB que governam o Estado de São Paulo há mais de 20 anos. Isso fica claro quando tomamos conhecimento que essa situação poderia ter sido evitada caso o Governo do Estado tivesse colocado em prática as medidas necessárias que pudessem evitar esse caos.

A situação, que afeta nossa região, pode se estender para todo o Estado, já o que os órgãos que cuidam das águas em outras cidades, também não preveem plano de emergência para enfrentamento de crises como a que assistimos agora.

A água tratada como mercadoria

A Sabesp, empresa responsável pelo abastecimento de água e esgotamento sanitário na maioria das cidades, há muito tempo deixou de ser uma empresa de caráter público, que deveria ter como principal objetivo atender bem a população. Há décadas se transformou numa empresa de negócios que tem como principal objetivo gerar lucro, que, só nos últimos dois anos chegaram a quase R$2 bilhões. Parte desse lucro é repassado a acionistas no Brasil e em Nova Iorque e parte para o Governo do Estado, que é seu maior acionista, porém, esse dinheiro não é reinvestido em saneamento, por exemplo, em programas de redução de perdas, água de reuso e expansão de sistemas de produção de água.

Além disso a empresa vem sendo loteada entre os empreiteiros através das terceirizações e Parcerias Públicos Privadas – PPPs, precarizando o trabalho e provocando queda na qualidade de serviços.

Quase metade dos esgotos produzidos no Estado não são tratados e do que se coleta boa parte é despejado in natura nos rios e córregos, além disso, os usuários dos serviços são obrigado a pagar mesmo sem o tratamento dos esgotos.

As águas dos nossos rios, que se tratadas poderiam ser usadas para vários fins continuam poluídas, mesmo depois de serem investidos bilhões de dólares, como o é caso do Rio Tietê.

Conclusão, o slogan da Sabesp deveria ser: primeiro o lucro…o povo vem depois.

O rodízio de água já acontece

O Alckmin continua falando que não há rodízio de água. É mentira, quem mora na periferia, nos bairros pobres, já enfrenta falta d’água em condições normais, agora, a situação piorou, quase todo dia falta água. E o Governo tenta colocar a culpa na população, que já sofre com a falta de coleta e tratamento dos esgotos, com o metrô lotado, com a falta de segurança e escola de qualidade.

Para fazer o enfrentamento contra a inércia e ineficiência dos tucanos que abandonaram nosso Estado, principalmente a população mais pobre, defendemos uma grande jornada de lutas envolvendo o movimento popular, sindical, e parlamentares comprometidos com a luta do povo no nosso Estado.

Por garantia de água pra todos

Água não é mercadoria

Assinam:

Central de Movimentos Populares – CMP

Central Única dos Trabalhadores – CUT

Confederação Nacional das Associações de Moradores – CONAM

Federação das Associações Comunitárias do Estado de São Paulo – FACESP

Federação Nacional dos Trabalhadores em Energia, Água e Meio Ambiente – FENATEMA

Federação Nacional dos Urbanitários – FNU

Jornal Brasil de Fato

Levante Popular da Juventude

Liderança do Partido dos Trabalhadores na ALESP

Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB

Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra – MST

Sindicato dos Trabalhadores em Água Esgoto e Meio Ambiente do Estado – SINTAEMA 

 

 

Leia mais

:http://www.ptalesp.org.br/noticia/p/?id=6263#.U3UopfldWSp

http://www.ptalesp.org.br/noticia/p/?id=6298#.U3UpMPldWSp


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